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Fim do Nano, os carros mais 'baratos' do Brasil e mais destaques de carros e motos na semana


Veja as motos mais vendidas do 1º semestre, por segmento, e uma ‘voltinha’ em um caminhão elétrico desenvolvido no Brasil. Confira os destaques da semana de carros, motos e caminhões:
Fim da linha para o Tata Nano
Nano pega fogo na Índia, em março de 2010
AP
O Tata Nano, conhecido como o “mais barato do mundo”, deu sinais de que está com seus dias contados. Apenas 1 unidade foi produzida em junho e a montadora indiana afirma que, sem mudanças, ele não sobreviverá.
Fogo, fila de espera… relembre a história do Tata Nano
Os carros mais ‘baratos’ do Brasil
Chery QQ seguia no topo da lista dos carros ‘mais baratos’ do Brasil em julho
Divulgação
E, falando em carro mais “barato”, o G1 fez uma lista com os modelos novos mais baratos em julho de 2018. Na ponta entre os mais acessíveis do país está o Chery QQ, que custa R$ 27.290.
Seminovos em queda
Venda de carros seminovos está em queda
Fabio Tito/G1
Os veículos seminovos, que têm até 3 anos de uso, fecharam o 1º semestre com queda de 50,9%, quando comparado ao mesmo período de 2017.
Veja dicas para compra de um seminovo…
… e de carros com 4 a 8 anos de uso
Motos mais vendidas
Honda CG 160 Start 2018
Divulgação
A Honda CG 160 é disparada a moto mais vendida do Brasil já há algum tempo. Mas quem são as líderes nos diversos segmentos existentes? O G1 preparou uma lista com as mais vendidas nas categorias Custom, CUB, Trail, Maxtrail, Scooter, Touring, Naked, Sport e City.
Leia mais notícias de Motos
Blog do Denis Marum: viagem ou pesadelo?
Rodovia dos Imigrantes, sentido litoral, na manhã desta quinta-feira (12)
Reprodução/TV Tribuna
Você sabia que a sua viagem de férias pode se tornar um pesadelo se o carro não estiver com a mecânica em dia? O mecânico Denis Marum dá dicas de como o motorista pode aproveitar os sinais do próprio carro para detectar falhas.
Veja mais dicas para cuidar do seu carro
Caminhão elétrico feito no Brasil
G1 testa caminhão elétrico criado no Brasil
Ainda em fase de desenvolvimento, o Volkswagen e-Delivery é o primeiro caminhão elétrico desenvolvido no Brasil. O modelo só chegará ao mercado em 2020, mas o repórter André Paixão já dirigiu o modelo e mostra como é dirigir o elétrico.
Rota 2030
Conheça os principais pontos do Rota 2030
Depois do anúncio oficial do Rota 2030, programa com regras e incentivos para fabricantes de carros, muitas questões surgiram em torno de seus detalhes: preço do carro vai cair? O que as fabricantes precisam fazer em troca de benefícios? Veja perguntas e respostas sobre o regime automotivo.

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Quem é Mark Cuban, o 'tubarão multimilionário' que ensina a ficar rico


Donald Trump já chamou o empresáro de ‘estúpido’, e Cuban desafiou o presidente a raspar a cabeça; conheça esse investidor, estrela de televisão, produtor e ator que adora dar declarações polêmicas e ser o centro das atenções. Aos 59 anos, Cuban tem uma fortuna estimada em US$ 3,3 bi
Reprodução/CNN
“Donald, se você raspar a cabeça darei um US$ 1 milhão à organização beneficente que você quiser”, disse Mark Cuban, diante de uma câmera, antes de Donald Trump ser eleito presidente dos EUA.
Cuban é assim: um empresário, investidor, estrela de televisão, produtor e ator que adora dar declarações polêmicas e ser o centro das atenções. Gosta também de ensinar a ficar rico.
Seus negócios principais são o comando de um time de basquete, o Mavericks, de Dallas, da rede de cinema Landmark, da produtora e distribuidora Magnolia e, ainda, da emissora a cabo AXS TV. É também figura frequente na versão americana do reality show de empreendedorismo Shark Tank – Negociando com Tubarões.
Cuban já revelou que pensa em disputar a Presidência dos EUA em 2020 e, toda vez que tem oportunidade, dá “lições de como ficar rico”. Aos 59 anos, escreveu uma série de livros sobre o êxito nos negócios, com títulos (em tradução livre) do tipo “Como ganhar no Esporte dos Negócios”, “Como lançar e fazer crescer um negócio” e “Como aumentar sua renda em quantidades assombrosas”.
Na cultura americana, não é raro que as pessoas sejam identificadas como “vencedoras ou perdedoras”. Nesse mundo, Cuban se apresenta como um símbolo de êxito.
“Não tinha nada”
Ele gosta de contar que tinha apenas US$ 60 no bolso quando entrou na Universidade de Indiana (EUA) aos 23 anos e foi morar um apartamento de três quartos com outras cinco pessoas.
“Não tinha nada, então também não tinha nada a perder”, diz.
Em Dallas, conseguiu um emprego para vender softwares, apesar de não ter noções de computação. Em pouco tempo, deu-se conta de que gostava de informática.
“Aprendi sozinho a programar. Podia passar sete ou oito horas fazendo isso sem descansar”, conta.
Então, ele criou a MicroSolutions, empreendimento que venderia por US$ 6 milhões em 1990.
Seu segundo negócio, um serviço de streaming de áudio chamado Broadcast.com, criado em parceria com o sócio Todd Wagner, foi vendido ao Yahoo! em 1999 por US$ 5,7 bilhões, antes da chamada “crise do pontocom”.
Desde então, ele passou a diversificar as apostas comerciais e a investir em direções distintas. Financiou um banheiro de alta tecnologia chamado Swash e a produção de séries de televisão, como o reality show The Benefector, em que dá US$ 1 milhão ao competidor que o convencê-lo de que merece a quantia – programa que acabou sendo comparado a O Aprendiz, de Trump.
Frugalidade até certo ponto
Nascido em Pittsburg, na Pensilvânia, Cuban cresceu numa família judia que originalmente carregava o sobrenome Chabenisky até que o avô de descendência russa decidiu trocar para Cuban quando foi viver nos EUA.
“Minha mãe queria que eu aprendesse a instalar carpete”, diz Cuban. “Ninguém tinha grandes esperanças em mim.”
Mas o empresário, que quando jovem trabalhou como camareiro, professor de dança e promotor de festas, tinha outros planos para a própria vida. Quando finalmente ele decidiu se aventurar no mundo dos negócios, teve um livro que lhe marcou: Fazendo Dinheiro no Sonho Armericano: como se aposentar aos 35, de Paul Terhorst.
O livro fala sobre economizar dinheiro e viver com menos do que se tem, colocando foco nas grandes prioridades pessoais. “Eu fiz coisas como dividir apartamento com os outros, comer macarrão com queijo e viver de uma maneira frugal”, recorda.
Aparentemente, continuou seguindo esses princípios mesmo depois que a carreira empresarial deslanchou.
“Não tive um carro que custava mais de US$ 200 até os 25 anos. Era uma loucura”, diz. “Queria acumular o suficiente para viajar, me divertir e sair da festa como se fosse um astro do rock, mas seguia vivendo como se fosse um estudante”.
Mas isso mudou radicalmente quando seus negócios o deixaram multimilionário e, no final dos anos 1990, ele comprou seu primeiro avião particular.
Informação privilegiada?
Os negócios de Cuban, contudo, já atraíram suspeitas.
A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês) entrou com um processo civil contra o empresário por suspeita de que Cuban tenha usado informação privilegiada num negócio com a empresa Mamma.com.
Cuban, por sua vez, sempre negou as acusações e diz que nunca se comprometeu em manter essa operação sob sigilo.
Depois de várias decisões e recursos judiciais, em 2013, um juiz declarou Cuban inocente.
“Sou o homem mais sortudo do mundo”, disse o empresário, ao ser informado do veredito.
Conhecido por se meter em brigas e usar palavras de baixo calão, já teve que pagar várias multas ao encarar os árbitros em partidas de basquete. O que acontece na quadra é um retrato da vida de Cuban, que se comporta como um “tubarão” em direção à presa.
Como acontece com muitos milionários, Cuban também tem um lado político. Na última eleição presidencial, apoiou publicamente Hillary Clinton, por quem não economizou esforços na tentativa de ajuda-la a se eleger.
Rivalidade com Trump
Nos últimos tempos, tem criticado várias políticas do governo de Donald Trump. E já teve divergências públicas como presidente nas redes sociais.
“Considerando o que está acontecendo na Casa Branca, no país e no mundo, precisamos de líderes melhores. Acredito que eu poderia fazer um trabalho melhor (do que Trump)”, disse Cuban, acrescentando que está pronto para se lançar candidato.
Trump respondeu aos comentários do empresário. “Conheço bem Mark Cuban. Ele me apoiou muito, mas eu não estava interessado em atender todas as ligações dele. Não é inteligente o suficiente para ser candidato presidencial”, escreveu Trump, no Twitter.
Esse tuíte do presidente se soma a outras mensagens nas quais Trump já havia chamado o empresário de “idiota” e “estúpido”.
Aparentemente, nos últimos tempos, os dois estão menos agressivos um com o outro. Cuban continua aparecendo na televisão e, segundo a revista Forbes, tem uma fortuna estimada em US$ 3,3 bilhões. E cada vez que pode, faz aparições públicas para promover a criação de novos negócios.
“Amo o empreendedorismo porque faz com que este país (EUA) cresça. E assim posso ajudar que as empresas cresçam. Estou criando empregos”, argumenta, emendando que “o sonho americano está vivo”.

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Os jovens que encontram nas redes sociais 'válvula de escape' para luta contra o câncer


Para aplacar a solidão e buscar apoio ao longo do tratamento, pacientes têm postado fotos e textos sobre rotina nos hospitais em suas páginas na internet. Guilherme Pagnoncelli informa seus seguidores sobre seu tratamento contra o câncer nas redes sociais
Reprodução/Instagram
Em agosto passado, Guilherme Pagnoncelli, de 28 anos, descobriu que o câncer, iniciado no estômago, havia avançado e atingido outros órgãos. O jovem foi informado de que teria pouco tempo de vida. Logo que deixou o hospital, publicou, em seu Instagram, vídeos desabafando a respeito do diagnóstico. Pouco mais de 4 mil pessoas o acompanhavam na rede social. Em menos de 24 horas após o relato, seu perfil ultrapassou a marca de 260 mil seguidores.
Gui, como é conhecido nas redes sociais, descobriu a doença em julho de 2012, aos 22 anos. Ele foi diagnosticado com câncer no estômago, do tipo adenocarcinoma, uma das formas mais raras e agressivas. O jovem passou por cirurgias e sessões de quimioterapia. Meses após encerrar os procedimentos, descobriu que o câncer havia atingido também o pulmão.
Em 2016, ainda em tratamento, os médicos informaram que o esôfago do jovem também havia sido atacado pela doença. Em agosto de 2017, Gui recebeu a notícia de que os tratamentos não davam mais os resultados esperados. “Disseram que eu teria apenas mais alguns meses de vida”, diz.
O rapaz, que até então costumava ser discreto em relação à doença, falou abertamente sobre o tema. “Quando saí da consulta médica, no calor do momento, gravei alguns Stories (ferramenta de vídeos curtos e fotos do Instagram) contando o que havia acabado de saber.”
A repercussão do relato fez com que o rapaz passasse a fazer diversas postagens sobre a doença, seu tratamento e o seu cotidiano. “Eu acredito que seja preciso divulgar a doença para que as pessoas se cuidem. O câncer é silencioso e é necessário falar mais a respeito. Imagino que mostrando o meu tratamento, a pessoa vai se interessar em saber como anda a própria saúde. A minha maior intenção é alertar”, conta à BBC News Brasil.
O rapaz é um dos diversos jovens que enfrentam o câncer e compartilham a luta contra a doença nas redes sociais. Os relatos sobre os diagnósticos e tratamentos têm se tornado comum na internet.
Para a chefe da seção de psicologia do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Monica Marchese, a interação nas redes sociais faz com que os jovens que enfrentam a doença se sintam menos solitários.
“Eles sentem que estão fazendo alguma coisa com esse momento da vida. Saem de uma posição passiva diante da doença e das perdas que ela traz. Por isso, tornou-se comum os jovens criarem redes, blogs, publicarem vídeos etc. Assim, não ficam simplesmente reféns da doença e do tratamento.”
Segundo o Inca, não há dados sobre jovens que enfrentam o câncer no Brasil, apenas uma expectativa de quantos brasileiros em geral devem ser diagnosticados com a doença neste ano: 600 mil, sendo cerca de 170 mil casos relacionados ao câncer de pele. A análise não especifica as idades dos pacientes.
Redes sociais como ‘válvula de escape’
O caso mais famoso entre os jovens que compartilharam a luta contra o câncer nas redes é o da modelo Nara Almeida, de 24 anos.
Durante nove meses, ela travou uma dura batalha contra um câncer no estômago. Antes, publicava dicas de beleza, registrava treinos na academia e falava sobre dietas. A jovem tinha cerca de 400 mil seguidores no Instagram. Após o diagnóstico e os relatos sobre a luta contra a doença, o número de pessoas que a acompanhavam cresceu para 4,4 milhões, registrados em maio.
Para a jovem, as redes sociais eram a forma que havia encontrado para lidar melhor com a doença e os tratamentos. Em seu perfil, ela comemorava cada melhora em seu quadro clínico e lamentava quando seu estado de saúde piorava. “Deus, mais uma vez segura em minha mão, minha alma aflita pede tua atenção. Cheguei ao nível mais difícil até aqui. Me ajude a concluir”, escreveu Nara, em uma de suas últimas publicações, feita pouco antes de iniciar tratamento com imunoterapia.
O caso mais famoso entre os jovens que compartilharam a luta contra o câncer nas redes é o da modelo Nara Almeida, de 24 anos
Reprodução/Instagram
Nara morreu em 21 de maio. Ela não resistiu às complicações da doença e os tratamentos disponíveis não surtiam mais efeitos.
O engenheiro Pedro Rocha, seu marido, diz que as redes sociais foram fundamentais durante a luta dela contra o câncer. “A Nara usava as redes como válvula de escape. Ela podia desabafar, conhecer gente que passava pelo mesmo problema, pedir ajuda e auxiliar outras pessoas. Ela também usava esse meio de comunicação para não se sentir sozinha, quando não podia sair nem receber visitas”, conta.
Por meio das redes sociais, o jogador de futebol Alexandre Pato, atualmente no Tianjin Quanjian, conheceu o caso de Nara. No fim de abril, ele se ofereceu para pagar seis meses de tratamento de imunoterapia para a jovem. Antes da ajuda do jogador, a modelo chegou a gravar um vídeo pedindo que fosse contratada para trabalhos como influenciadora digital, para que pudesse arcar com os remédios – que custam R$ 18 mil a dose, a ser tomada a cada 21 dias. “Ela teve tempo de tomar somente duas doses (pagas por Pato)”, comenta Rocha.
Além das mensagens de apoio, Nara também recebia críticas por expor a doença. “Todos que optam por abrir suas vidas em uma rede social precisam saber lidar com a rejeição e com as opiniões diferentes. Mas é importante saber a hora de se reservar um pouco”, diz o marido de Nara.
O engenheiro acredita que a modelo conseguiu ajudar outras pessoas. “A Nara mostrou que não é preciso ter vergonha de passar por uma situação assim, porque essa doença é mais comum do que gostaríamos. Conheci muita gente que foi procurar saber mais sobre a própria saúde depois de conhecer a história dela.”
Invasão de privacidade
As redes sociais são consideradas ferramentas importantes para Gui Pagnoncelli. Por meio de uma “vaquinha virtual”, ele arrecadou R$ 350 mil para realizar futuramente, nos Estados Unidos, um transplante múltiplo de órgãos – estômago, intestino, pâncreas e fígado.
Enquanto lidava com a doença e compartilhava o cotidiano nas redes, ele batalhava para manter os planos que tinha para si. Um dos sonhos foi realizado no fim do ano passado: a conclusão da faculdade de Fisioterapia. Gui iniciou o curso pouco após terminar a primeira fase do tratamento contra o câncer. “Em certos momentos, não me imaginava concluindo minha graduação. Meu TCC foi preparado entre uma quimioterapia e outra.”
Nara recebeu críticas de quem considerou que ela fazia exposição excessiva de sua rotina hospitalar
Reprodução/Instagram
O jovem mostra-se grato com o apoio que recebe nas redes. Porém, afirma que a exposição tem deixado de ser tão positiva como no início. “Hoje, as pessoas pensam que a minha vida é uma novela, em que eu preciso colocar mais um capítulo todos os dias. Se eu resolvo me desligar e ficar um pouco sozinho, logo recebo inúmeras mensagens questionando onde estou e até ofensas de amigos e familiares por não ter dado notícias. Me sinto um pouco invadido.”
Ele, que atualmente tem mais de 245 mil seguidores no Instagram, relata que uma das situações que mais o incomodaram aconteceu quando estava internado em razão da quimioterapia. “Duas pessoas entraram no leito em que eu estava e pediram para tirar uma selfie comigo. Aquilo foi muito estranho e novo para mim. Começaram a me tratar como se eu fosse famoso. Isso me assustou”, conta.
Apesar de lamentar a falta de privacidade, Gui mantém as publicações diárias nas redes sociais. Compartilha o tratamento e detalha cada dificuldade. O jovem comenta com frequência sobre as constantes dores, em razão de os remédios não surtirem mais efeitos como antes. Em muitos momentos, Gui precisa ser sedado com anestésicos.
Recentemente, o rapaz iniciou novo tratamento com quimioterapia por tempo indeterminado, em razão do estágio avançado da doença. “Mesmo com tudo o tenho passado, sempre tive o emocional bastante centrado. Dificilmente choro ou passo o dia triste, busco sempre sorrir e levar a vida como posso, dentro de minhas limitações”, diz.
Câncer de mama aos 20
A vontade de levar a vida da melhor maneira possível em meio ao tratamento contra o câncer também é um dos objetivos da universitária Isabel Costa, 21. Em julho do ano passado, ela descobriu um nódulo no seio esquerdo, que viria a ser um câncer de mama em estágio intermediário. “Ninguém espera ouvir uma notícia dessas aos 20 anos. Não foi nada fácil.”
Ela demorou a aceitar o diagnóstico: “Todos os dias acordava e pensava que tinha sido um pesadelo”.
Só depois de iniciar o tratamento com quimioterapia, duas semanas depois, Isabel entendeu que sua vida estava passando por mudanças. “Foi um susto muito grande.”
“Ninguém espera ouvir uma notícia dessas aos 20 anos. Não foi nada fácil”, diz Isabel Costa, que retratou online a batalha contra o câncer de mama
REPRODUÇÃO INSTAGRAM
Ao todo, foram 16 sessões de quimioterapia. Ela estava no quinto semestre de Direito, mas trancou a faculdade temporariamente e retomou os estudos no início deste ano. A jovem planejava um intercâmbio para Portugal, em janeiro, porém teve de desistir. “A minha vida mudou completamente. Tive que parar com todas as atividades que fazia.”
Um mês após iniciar a luta contra o câncer, Isabel decidiu falar sobre o assunto em suas redes sociais e criou um blog sobre o tema. “Os meus amigos já sabiam, porque eu tinha avisado para eles pouco depois de descobrir. Mas decidi criar o blog porque queria que todos soubessem da minha história por mim, não por boatos. Não queria que ficassem pensando que eu estava morrendo ou coisa assim”, explica.
Sua primeira publicação repercutiu entre amigos e desconhecidos. Ela, que atualmente possui pouco mais de 6 mil seguidores no Instagram, passou a receber diversas mensagens. “Nunca recebi nenhum tipo de crítica, apenas mensagens de pessoas, conhecidas ou desconhecidas, que queriam demonstrar apoio ou dizer que minhas publicações as inspiravam”, comenta.
Nas redes, ela compartilhou publicações motivacionais e também os momentos mais complicados do tratamento. Para a jovem, as partes mais difíceis foram o inchaço causado pelos medicamentos – ela chegou a engordar 18 quilos -, a queda do cabelo e a cirurgia de retirada das mamas. “A mastectomia foi o que mais me afetou, porque meus seios foram retirados totalmente. Ficou um esvaziamento. Fiz reconstrução imediata, mas ficaram cicatrizes, mesmo com as próteses. Isso foi muito duro”, lamenta.
Atualmente, Isabel faz quimioterapia oral, na qual toma seis comprimidos diariamente durante 14 dias. Posteriormente, por sete dias, pausa os remédios e depois volta. A parte inicial do tratamento da universitária deve ser finalizada em agosto. Depois, por cinco anos, ela estará em fase de remissão – período em que não há sinais do câncer, mas ainda não se pode dizer que ele não regressará. Por meio de consultas mensais, o médico avaliará a saúde da jovem.
Para Isabel, apesar das dificuldades, a luta contra o câncer teve um lado positivo. “Conheci muita gente bacana e aprendi muito, principalmente por meio das redes sociais. Tenho participado de vários eventos, para conhecer mais sobre o tema. Além disso, eu criei, junto com uma amiga que também teve a doença, um grupo de apoio a pacientes com câncer.”
Período de remissão
Nas redes sociais, há também histórias de jovens que lutaram contra o câncer, finalizaram o tratamento e agora estão em fase de remissão. É o caso da analista de comunicação Anna Narita, de 25 anos. Em dezembro de 2011, descobriu um câncer no timo, glândula localizada entre os pulmões. Na época, ela fez tratamento com quimioterapia, passou por cirurgias, ficou careca e teve depressão. “A minha maior batalha foi a aceitação da doença.”
Na primeira vez em que teve o câncer, ela chegou a fazer publicações sobre o assunto nas redes sociais, porém não deu continuidade aos relatos. “Eu não estava psicologicamente bem. Foi muito complicado. Eu publiquei e me senti mais exposta do que aliviada e acabei desistindo”, revela.
Anna Narita concluiu o tratamento e está em fase de remissão da doença
VITOR MANON/ ARQUIVO PESSOAL
Anna terminou a primeira fase do tratamento e passou a fazer acompanhamentos mensais. No ano passado, quatro anos depois de finalizar as sessões de quimioterapia, a doença retornou, agora na cavidade abdominal. “Foi um susto, porque eu não tinha mais nenhum sinal do câncer e ele se refez, ainda mais agressivo. Desta vez, eu estava mais forte, apesar do medo ainda existir.”
A jovem retomou o tratamento em julho de 2017. Ela conta que o amadurecimento fez com que conseguisse comentar sobre a doença nas redes sociais. “Comecei a fazer anotações nos momentos em que estava mais introspectiva. Essas notas viraram texto e alguns deles, como alternativa de alívio, foram postados nas minhas redes sociais. Neles, eu falava sobre os sentimentos que me agoniavam”, diz Anna, que possui pouco mais de 1,7 mil seguidores no Instagram.
Ela preferiu não retratar o cotidiano do tratamento e só fazer publicações sobre as crises que tinha após superá-las. “Isso ajudou a diminuir a minha própria cobrança em estar bem o tempo todo. Isso também reduziu a cobrança das pessoas que estavam de fora, que passaram a lidar melhor comigo e com a minha doença.”
Em dezembro passado, Anna encerrou o segundo tratamento. Ela está, novamente, em período de remissão e faz exames para assegurar que o câncer não retornou. “Não gosto de romantizar a minha doença dizendo que tudo deu certo no final. Eu me lembro de todos os meus sofrimentos e não seria justo comigo esquecê-los, mas saio dessas experiências sendo a melhor versão de mim mesma. Creio que tudo isso foi necessário”, afirma.
Anna Narita comemorando o fim do tratamento contra o câncer
Reprodução/Instagram
A universitária Lívia Oliveira, de 19 anos, também superou o câncer. Durante o tratamento, ela detalhou, nas redes sociais, a luta contra a doença. A jovem teve um linfoma não-Hodgkin, que surge no sistema linfático e atinge as células de defesa do corpo. Recebeu o diagnóstico aos 18 anos, em novembro passado. “Foi chocante, porque eu estava iniciando a vida, tinha acabado de começar a cursar Direito e não esperava uma notícia dessas.”
No dia seguinte à descoberta da doença, ela iniciou o tratamento, pois o câncer foi considerado em estágio avançado. “Foi tudo muito pesado. Eu fazia 100 horas de quimioterapia sem parar, a cada 21 dias”, detalha. Ela passou por quatro cirurgias, ficou internada na UTI, teve uma parada cardiorrespiratória de 12 minutos e chegou a ficar três dias em coma induzido.
Lívia se recuperou e em dezembro teve a primeira alta hospitalar. Ela raspou o pouco cabelo que lhe restava, após grande parte ter caído durante o tratamento. Em seguida, fez uma publicação no Instagram. “Eu senti que precisava compartilhar com todo mundo sobre o milagre que Deus faria em minha vida”, afirma. Lívia possui, atualmente, 10,4 mil seguidores no Instagram, sendo que grande parte deles veio após ela começar a falar sobre a doença.
Um dos momentos mais especiais para ela foi uma publicação feita em 13 de abril, quando anunciou o fim do tratamento. “Hoje eu só sinto vontade de gritar para todo mundo que Deus é maravilhoso e me curou”, escreveu na postagem. Nos comentários, diversos seguidores comemoraram junto com a jovem.
Atualmente, Lívia está em remissão e faz acompanhamento mensal para garantir que não há mais sinais da doença em seu organismo. “Eu não deixo que o medo do câncer voltar me impeça de viver.”
O apoio durante a luta contra a doença
Para a psicóloga Monica Marchese, ainda há bastante desinformação sobre como lidar com pessoas com câncer, o que leva muita gente a ter pena daqueles que enfrentam a doença. “As informações pelas redes devem contribuir para minimizar o estigma em torno disso”, opina.
De acordo com Marchese, um dos motivos para que os relatos dos jovens atraiam as pessoas é o fato de a situação fazer com que muitos reflitam sobre o tema. “Esse interesse acontece pela história de vida do paciente. Pode ter um efeito do tipo ‘poderia ser comigo ou com meu filho'”, diz.
Por meio da experiência adquirida nas duas vezes em que enfrentou a doença, Anna Narita orienta que parentes, amigos e pessoas que acompanham pacientes nas redes exerçam a empatia.
“Não existe dor maior ou menor que a de ninguém nessa luta. Cada paciente sabe o que vem passando. Respeitar isso é legitimar a luta do outro. É importante oferecer um abraço, companhia no tratamento ou, até mesmo, enviar uma música. A parte principal é não cobrar nada daquela pessoa.”

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Apucarana abre inscrições para concurso com 12 vagas; salários chegam a R$ 4,8 mil


Prazo para inscrições termina em 13 de agosto. Há oportunidades para todos os níveis de escolaridade. Apucarana abre inscrições para concurso com 12 vagas e cadastro de reserva
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A Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (AMS), no norte do Paraná, abriu nesta sexta-feira (13) as inscrições para um concurso público com 12 vagas e cadastro de reserva. Os salários chegam a R$ 4,8 mil para o cargo de veterinário.
Veja aqui o edital para o concurso da AMS.
Os interessados podem se inscrever até 13 de agosto, e a taxa varia de R$ 30 R$ 90, dependendo da função pretendida. Há oportunidades para todos os níveis de escolaridade.
A previsão é de que a prova objetiva seja aplicada em 2 de setembro.
Veja abaixo os cargos, número de vagas e salários:
Nível superior
Assistente Social: 1 vaga, com salário de R$ 3.386,98;
Terapeuta Ocupacional: 1 vaga, com salário de R$ 2.541,27;
Veterinário: 1 vaga, com salário de R$ 4.837,44;
Contador: cadastro de reserva, com salário de R$ 3.386,98;
Farmacêutico Bioquímico: cadastro de reserva, com salário de R$ 3.386,98.
Nível médio
Agente Comunitário de Saúde: 6 vagas, com salário de R$ 1.357,64;
Assistente Administrativo: 1 vaga, com salário de R$ 2.084,68;
Operador de Comunicação: 1 vaga, com salário de R$ 1.208,92;
Atendente de Consultório Dentário: cadastro de reserva, com salário de R$ 1.579,94;
Guarda de Endemias: cadastro de reserva, com salário de R$ 1.357,64;
Nível fundamental
Motorista: 1 vaga, com salário de R$ 1.361,47.
Veja mais notícias da região no G1 Norte e Noroeste.

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Argentina sofre para tranquilizar mercados financeiros


Na avaliação de técnicos do Fundo, dívida do país deve cair para 56% em 2021, último ano do programa de ajuda. O Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que a dívida do governo da Argentina chegará ao pico no fim do ano e depois vai cair, à medida que o país reduza seu déficit como parte do acordo de US$ 50 bilhões com o fundo, segundo um documento publicado nesta sexta-feira (13).
Dólar disparando, juros altos, temores sobre inflação e acordo com FMI: entenda a crise na Argentina
A previsão é de a dívida chegar ao máximo de 65% do PIB antes de cair para 56% em 2021, o último ano do programa, escreveram técnicos do FMI no documento produzido antes da aprovação do acordo. O documento não tinha sido divulgado previamente.
A dívida bruta média das nações emergentes, em 2017, foi estimada pelo FMI em pouco mais de 50% do PIB.
Em Buenos Aires, manifestante segura cartaz contra o novo pedido de ajuda da Argentina ao FMI
Martin Acosta/Reuters
Uma forte desvalorização do peso no início deste ano, em meio a um recuo mundial de investidores dos mercados emergentes e preocupações sobre a habilidade do governo argentino de lutar contra a inflação, levou o país a pedir um acordo com o FMI em maio.
O documento do FMI também define políticas que o governo deve adotar para reduzir o déficit. Algumas delas não estão incluídas na carta de intenções da Argentina do mês passado, a qual delineava os passos que seriam tomados para reduzir o déficit. As políticas do FMI que não estão na carta incluem manter as tarifas de exportação de soja em uma média de 25,5% e adiar a implementação de partes das mudanças tributárias do ano passado.
Em um comunicado divulgado junto com o documento, o chefe da missão do FMI para a Argentina, Roberto Cardarelli, disse que a economia do país da América do Sul poderia encolher no segundo e terceiro trimestres. O documento prevê crescimento de 1,5% em 2019 e “cerca de 3%” em 2020.

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Photoshop para Ipad será lançado pela Adobe, diz site


Ferramenta pode chegar aos consumidores em 2019, mas não há data exata. Tecnologia pode se estender para outros programas da empresa. iPad mini em evento da Apple
Reuters
Como parte da nova estratégia de deixar todos os seus produtos compatíveis em vários dispositivos, a Adobe deve lançar a versão completa do aplicativo do Photoshop para o iPad, segundo o site da Bloomberg.
A medida visa impulsionar também o número de assinaturas digitais e está prevista para ser lançada em sua conferência em outubro.
Recentemente a empresa começou a lançar seus produtos em versões para dispositivos móveis, mas ainda não fez a transição total das versões completas para as telas menores.
Segundo a Bloomberg, o lançamento para iPad permitirá que as pessoas executem a versão completa do programa e continue editando em diferentes dispositivos. A expectativa é que esteja disponível para o público em 2019, mas não há data exata de lançamento.
A aproximação com dispositivos móveis tem a ver com os hábitos dos seus usuários e agora a corrida é por conseguir mais assinaturas. Lançado em 2012, o Creative Cloud, serviço que dá acesso a todos os softwares na nuvem, virou o principal produto da empresa.
Além de atender profissionais que trabalham com seus produtos, a Adobe quer atingir pessoas que casualmente possam usar a ferramenta.
A empresa já vinha dando pistas que ia investir nesse caminho quando lançou o Projeto Rush, aplicativo leve de edição de vídeo que funciona em iPads e computadores.

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Opala completa 50 anos e colecionadores de Brasília reúnem raridades


Carro deixou de ser fabricado em 1992. Evento na capital, neste domingo, terá ‘parabéns a você’ e telão para final da Copa do Mundo. Carro de colecionador do Clube do Opala de Brasilia
Arquivo pessoal
O Opala, primeiro carro de luxo brasileiro a ser considerado “paixão nacional”, completa 50 anos e vai ganhar uma festa neste domingo (15), em Brasília. Com direito a “parabéns a você” e um telão para assistir à final da Copa do Mundo da Rússia, o Clube do Opala pretende reunir cerca de 200 colecionadores e suas máquinas.
De acordo com o presidente do clube, Marcelo Araújo de Freitas, além de exposição com vários modelos de Opala, haverá food trucks e muita brincadeira para as crianças durante todo o dia. “É um evento para famílias inteiras”, diz ele.
Opala
Paulo Guilherme
Lançado oficialmente na abertura do VI Salão Internacional do Automóvel, em São Paulo, em novembro de 1968, o Opala já nasceu “causando”. O carro entrou no evento dirigido pelo piloto inglês de Fórmula 1 Stirling Moss. Como passageiras, havia oito misses.
Até 1992, quando deixou de ser fabricado, o Opala foi carro de presidente da República e altos executivos. Um sinônimo de luxo que chegou a ser o veículo mais caro do mercado nacional.
“Por isso mesmo, era um sonho de consumo difícil de ser alcançado”, afirma Freitas, que tem 41 anos e nasceu em Taguatinga, no DF. O presidente do Clube do Opala de Brasília conta que desde criança desejava o carro, mas só em 2016 conseguiu comprar um modelo 1992, da última série Diplomata, cor vinho.
Chevrolet Opala Diplomata Collectors 1992, em imagem de arquivo
Caio Kenji / G1
Ele não revela quanto pagou pelo veículo, mas diz que hoje um carro de colecionador não sai por menos de R$ 60 mil. “Mas o preço de um Opala não tem limite”, afirma. Segundo Freitas, um associado do clube vendeu há pouco tempo, por R$ 170 mil, um Opala Diplomata Collector 1992.
“Era uma série limitada com 45 carros. Vinha com chaveiro banhado a ouro.”
Na família do empresário brasiliense, há outras raridades. A mulher dele dirige um Opala rosa-pantera 1973/74. O carro foi um presente dele para comemorar 20 anos de união do casal.
O rosa-pantera também foi uma série limitada, em cor extravagante, feito especialmente para que os maridos agradassem as esposas com um carro de luxo. Mas na época, justamente por causa da cor, quem investiu relatou problemas na hora de revender.
Opala rosa-pantera foi entregue como presente de 20 anos de união
Arquivo pessoal
De acordo com a General Motors/Chevrolet, em quase 24 anos, cerca de 1 milhão de Opalas foram produzidos no Brasil. O carro entrou para a história como o primeiro a ser fabricado na unidade de São Caetano do Sul (região industrial do ABCD paulista) da montadora.
Em 1992, a GM abandonou a produção e substituiu o Opala pelo Omega, que utilizava tecnologia mais moderna. Mas os apaixonados continuam fiéis, garante Freitas. Na casa dele, por exemplo, os filhos de 4, 8 e 22 anos já sonham em ter um na garagem.
“Paixão de pai pra filho, é ferrugem na veia.”
Aniversário de 50 anos do Opala
Data: domingo, 15 de julho
Local: Clube do Opala de Brasília
Endereço: Placa da Mercedes, quadra 02/ lote 12
Horário: das 10h às 17h
Entrada gratuita
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Edição de 50 anos do Nissan GT-R poderá custar mais de R$ 4 milhões


Protótipo com 720 cavalos feito em parceria com o estúdio Italdesign pode virar edição limitada com 50 unidades. Nissan GT-R começa a celebrar 50 anos com protótipo
A Nissan já começa a celebrar os 50 anos do GT-R, que serão completos em 2019, com um protótipo feito em parceria com o estúdio Italdesign, que também chega aos 50 anos de vida, mas neste ano.
A versão do “Godzilla” terá 720 cavalos de potência, 120 cv a mais que a versão mais potente até agora (Nismo com 600 cv), e fez sua estreia no festival de Goodwood.
Nissan GT-R50 by Italdesign
Divulgação
Mais do que um protótipo, GT-R50 deve dar origem a uma edição limitada de 50 unidades feitas pela Italdesign e customizadas ao gosto de cada comprador.
O preço estimado é de a partir de € 900 mil (cerca de R$ 4 milhões), mais de quatro vezes o preço de R$ 900 mil sugerido no Brasil pelo GT-R normal, de 572 cv.
Nissan GT-R50 by Italdesign
Divulgação
O motor do GT-R50 é o mesmo 3.8 V6, mais potente graças à experiência da Nissan nas corridas da GT3, acompanhado de nova suspensão Bilstein e freios Brembo atualizados para aguentar a “cavalaria” maior.
Por dentro, o protótipo é refinado e usa dois tipo de fibra de carbono no acabamento, além de tecido Alcantara nos bancos. Os detalhes dourados, que marcam a pintura externa, também aparecem na cabine.
Nissan GT-R50 by Italdesign
Divulgação
Nissan GT-R50 by Italdesign
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Nissan GT-R50 by Italdesign
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Nissan GT-R50 by Italdesign
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Nissan GT-R50 by Italdesign
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Detran do DF autoriza uso de véu e turbante em foto de CNH


Instrução foi publicada no Diário Oficial na quinta-feira. Duas pessoas que moram em Brasília já conseguiram na Justiça direito de usar vestimenta. Muçulmana conseguiu na Justiça do DF o direito de usar o véu na foto da CNH
TV Globo/Reprodução
O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) permitirá o uso de véu e de turbante nas fotos da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A instrução que autoriza o emprego do lenço foi publicada no Diário Oficial do DF na última quinta-feira (12).
Até hoje, segundo o órgão, duas pessoas que moram na capital federal obtiveram judicialmente o direito de usar o adereço religioso na foto da CNH. A decisão do Detran foi tomada com base no artigo 5, inciso 8, da Constituição Federal, que diz que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa”.
Ao G1, o diretor-geral do Detran, Silvain Fonseca, disse que órgão também adotou a medida com o objetivo de desburocratizar o processo de emissão da CNH. “O DF já tem biometria. Além da visualização da CNH, teremos outros dispositivos para identificar as pessoas. Queremos tornar as coisas mais objetivas para facilitar a vida do cidadão.”
Instrução do Detran-DF que autoriza o uso de véu e turbante em foto de CNH
Reprodução/Diário Oficial do DF
Em nota, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) informaram que não têm posição sobre tema, porque aguardam uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a repercussão geral do recurso extraordinário da União contra uma decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que liberou uma freira a sair na foto da CNH com o “traje beato”.
Os órgãos disseram desconhecer se outra unidade federativa do país está adotando a mesma postura que o DF.
Batalha judicial
Em agosto do ano passado, a Justiça do DF concedeu a uma mulçumana o direito de usar o hijab – véu islâmico – na carteira de motorista. A decisão ocorreu após Rihab Awad Odeh Sad ter apresentado uma ação contra o Detran-DF. Ela tinha sido impedida de renovar a CNH usando uma foto em que aparece com o lenço tradicional da religião.
A reportagem conversou com Rihab Sad nesta sexta-feira (13), depois que a instrução do Detran-DF foi publicada. Ela mora há 20 anos em Sobradinho, região administrativa do Distrito Federal.
“Um conhecido me contou da mudança e fiquei muito feliz. Eu corri atrás na Justiça, porque era algo importante para mim. Acho que, agora, muita gente vai procurar trocar a foto”, disse Rihab Sad.
Rihab foi impedida de renovar a CNH porque se recusou a tirar o véu tradicional da religião islã
TV Globo/Reprodução
Na época que a mulçumana foi proibida de usar o véu na foto do documento, o Detran se fez valer da Resolução n° 196 de 2006 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). De acordo com a norma, o “candidato ou condutor não poderá estar utilizando óculos, bonés, gorros, chapéus ou qualquer outro item de vestuário/acessório que cubra parte do rosto ou da cabeça”.
Na primeira versão do documento, ela, então, aceitou ficar sem o lenço porque a foto foi tirada por uma mulher. “Eu me sentia muito constrangida quando era parada em blitz e um homem pedia para ver minha foto. Eu me sentia muito mal, sem o véu a gente está em pecado.”
“Eu só mostrava porque era uma autoridade, mas até o agente de trânsito ficava desconfortável e ainda não me reconhecia sem o véu”, conta a muçulmana.
Depois de uma série de constrangimentos, ela procurou a Defensoria Pública e entrou com a ação contra o Detran. A juíza responsável pelo caso decidiu que a vedação afronta o direito à crença religiosa.
“Não é um hobby. Faz parte da minha vestimenta, de quem eu sou”, disse Rihab Awad, em entrevista ao G1 em 2017.
Rihab Sad e o marido, Sami Sad, são donos de uma loja de roupas em Sobradinho, no DF
TV Globo/Reprodução
Além disso, a magistrada defendeu que a muçulmana já tinha carteira de identidade, carteira de trabalho e passaporte e, em todos esses documentos, a foto de identificação foi feita com o hijab. Esses documentos, de acordo com a magistrada, “mostram que não há dificuldade para identificar a mulher nas fotografias”.
“Essa questão deve ficar restrita à sua liberdade religiosa e ao seu conceito de dignidade pessoal, desde que, claro, não afronte a ordem pública”, sentenciou a juíza.
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