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Mercedes-Benz Classe A Sedan: primeiras impressões


Modelo de entrada da marca alemã traz o novo motor 1.3 turbo, que confere ótimo desempenho ao sedã. Assistente virtual, grande novidade, ‘derrapa’ ao não entender comandos simples. Mercedes-Benz Classe A Sedan
André Paixão/G1
Criado por uma marca alemã, mas pensado para a China. Chega ao Brasil importado do México, usando motor de origem francesa, mas parece que só compreende o português falado em Portugal.
Esse “cidadão do mundo”, é, na verdade, o Classe A Sedan, o Mercedes-Benz mais barato do Brasil. Partindo de R$ 139.900, ele está à venda desde julho, em duas versões: A 200 Style (a de entrada) e A 200 Advance. O G1 avaliou esta última, mais completa e cara, que custa R$ 176.900.
Novo GLA aparece no Brasil um mês após lançamento mundial
Tabela de concorrentes do Mercedes-Benz Classe A Sedan
Divulgação
É de entrada mesmo?
Mesmo carregando o rótulo de Mercedes mais barato, o Classe A passa longe de ser simplório. Seu acabamento é de ótima qualidade, com quase todas as superfícies emborrachadas.
O visual da cabine também é uma evolução, na comparação com o Classe C, por exemplo. A Mercedes manteve a identidade, por meio das saídas de ar redondas, mas se modernizou, eliminando parte dos botões do console central.
Mercedes-Benz Classe A Sedan
André Paixão/G1
Seria melhor se não houvesse a redundância de teclas específicas para funções que também podem ser acessadas diretamente na central multimídia.
A lista de equipamentos da versão Advance também é caprichada, e tem como destaques os 7 airbags, quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas, central multimídia do mesmo tamanho, teto solar panorâmico, ar-condicionado digital com duas zonas de temperatura, bancos de couro e com ajustes elétricos para o motorista.
Mercedes-Benz Classe A Sedan
André Paixão/G1
Conversa truncada
No entanto, a principal estrela entre as tecnologias é o MBUX, o assistente virtual da Mercedes. O Classe A Sedan é o segundo modelo a ganhar a tecnologia aqui no Brasil – o primeiro foi o Classe A hatch.
Basta chamar: “olá, Mercedes”, que o carro começa a prestar atenção no que os ocupantes estão falando.
Usando apenas comandos de voz, é possível pedir a abertura da persiana do teto solar, sintonizar uma estação específica no rádio ou definir uma temperatura para o ar-condicionado.
Só que a tecnologia da Mercedes não é conectada à internet, como o assistente da concorrente BMW.
Além de ser off-line, o MBUX também mostrou algumas problemas para entender comandos mais simples. Ao pedir para o carro “abrir o teto solar”, a inteligência artificial respondeu, por vezes: “eu não conheço seu neto”.
Para ser atendido, o proprietário deve pedir de uma forma específica: “abrir a persiana do teto solar”. Em quase todos os casos, é mais fácil realizar a ação, apertando botões, ou recorrendo à central multimídia. Assim, é possível evitar aborrecimentos.
Ainda é um carro
Mercedes-Benz Classe A Sedan
André Paixão/G1
Se o papo não vai adiante, o melhor a fazer é acelerar o modelo, afinal o Classe A ainda é um carro. E, um dos trunfos da Mercedes, é o novo motor 1.3 turbo desenvolvido pela Renault na parceria entre as duas fabricantes.
Ele chega para substituir um outro 4 cilindros turbo, mas de maior deslocamento, 1,6 litro. Apesar de menor, ele é mais potente. São 163 cavalos, contra 156 cv do motor antigo. O torque, de 25,4 kgfm é apenas 0,1 kgfm mais baixo.
Uma das vantagens desse novo motor é a possibilidade de desativação de 2 cilindros, quando ele trabalha em baixas e médias rotações – isso acaba sendo imperceptível para o motorista.
Por outro lado, é bastante perceptível a competência e elasticidade do pequeno motor. O Classe A Sedan apresenta ótimo desempenho, demonstrando força em todas as faixas de rotação.
O bom aproveitamento do motor também tem relação com o câmbio de dupla embreagem de 7 marchas. A conversa entre os dois é muito mais entrosada do que aquela do assistente pessoal com o motorista. Essa, talvez, seja a maior evolução em relação ao antigo 1.6 que ainda equipa o “irmão maior”, Classe C.
Falando nele, o Classe A Sedan se mostra também um carro mais gostoso de dirigir. Uma explicação pode ser o porte mais compacto – são 4,55 metros, contra 4,69 m do modelo maior.
Só que o A Sedan é mais simples – utiliza, por exemplo, eixo de torção na suspensão traseira, enquanto o C tem uma arquitetura mais moderna, do tipo multilink.
Desenho equilibrado
Mercedes-Benz Classe A Sedan
André Paixão/G1
Ele segue a cartilha do irmão maior no desenho – estilo sedã clássico, com volumes bem definidos. É moderno, de bom gosto, sem ser extravagante – mais tradicional do que o CLA.
O porta-malas de 430 litros não impressiona, mas parece ser suficiente.
Com seus 2,73 m de entre-eixos, o espaço para as pernas é bom para todos os ocupantes. Só que os mais altos correm o risco de raspar a cabeça no teto, já que a queda do teto ocorre bem nessa parte da carroceria. Outro desconforto é a ausência de saídas de ventilação dedicada aos passageiros que ali viajam.
Entrada estranha
Mercedes-Benz Classe A Sedan
André Paixão/G1
Pelo menos o celular não vai ficar descarregado. Quer dizer, isso vale para os mais prevenidos. A Mercedes instalou um nicho, com duas entradas, mas no padrão USB-C – menos comum, usada em aparelhos Android mais novos.
Aliás, todas as entradas do modelo são nesse padrão – a fabricante fornece o adaptador, mas apenas uma unidade, que deverá ser muito concorrida, caso o motorista saia acompanhado.
Mercedes-Benz Classe A Sedan
André Paixão/G1
Chegou para incomodar
O Classe A não é o primeiro sedã compacto da Mercedes. Quem abriu as portas do segmento para a fabricante alemã foi o CLA, dono de um estilo mais vanguardista, conforme dito alguns parágrafos acima.
Só que ele nunca conseguiu cumprir, efetivamente, seu papel, de rivalizar com o Audi A3 Sedan e incomodar sedãs médios de fabricantes “generalistas”, como Toyota Corolla e Honda Civic.
E o Classe A chega exatamente para dar um novo fôlego para a Mercedes nessa briga. Ele é só um pouco mais caro do que as versões topo de linha dos sedãs japoneses, e bem mais moderno do que o A3 Sedan.
Enquanto isso, sua configuração mais completa corre o risco de roubar clientes da versão de entrada do irmão maior, o Classe C 180 Avantgarde. É um bom “problema” para a Mercedes resolver.
Mercedes-Benz Classe A Sedan
André Paixão/G1

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Harley-Davidson Iron 883 tem redução de R$ 4 mil em seu preço na linha 2020


Modelo passou de R$ 43.900 para R$ 39.900. Sportster 1200 também ficou mais acessível, e agora parte de R$ 43.900. Harley-Davidson Iron 883
Divulgação
A Harley-Davidson anunciou nesta segunda-feira (20) a redução de preço de seus modelos Sportster no Brasil. De acordo com a marca, o motivo para os preços menores foi tornar Iron 883 e 1200 mais “acessíveis para os clientes e para o público mais jovem”.
Os novos preços não se tratam de uma promoção, e sim de um novo patamar para os produtos, informou a fabricante norte-americana. Veja os novos valores da linha 2020:
Iron 883: R$ 39.900 (custava R$ 43.900, redução de R$ 4 mil)
Iron 1200: R$ 43.900 (custava R$ 47.400, redução de R$ 3,5 mil)
Apesar de não serem rivais diretas, as Sportster da Harley-Davidson têm novas concorrentes mais baratas para quem procura motos de visual clássico no Brasil. As novas Royal Enfield Interceptor e Continental GT 650 estão em pré-venda no mercado brasileiro com preços partindo de R$ 24.990.
Harley-Davidson Iron 1200
Divulgação
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A nova PIV será obrigatória apenas nos casos de primeiro emplacamento de veículos novos, quando houver transferência de município e em razão de danos ou furto

 

A partir da sexta-feira (31) da próxima semana, começa a valer para os Detrans estaduais o novo modelo de Placas de Identificação Veicular (PIV) no padrão Mercosul. Para os cidadãos, as mudanças serão graduais. A nova PIV será obrigatória apenas nos casos de primeiro emplacamento de veículos novos, quando houver transferência do veículo para outro município ou ainda se a placa precisar ser substituída em razão de danos ou furto.

O Denatran está recebendo novas adesões e a expectativa é que todos os estados tenham implantado o novo sistema de emplacamento até a próxima sexta-feira (31), prazo final previsto pela Resolução Contran número 780, de 26 de junho de 2019. Onze estados já aderiram formalmente e estão testando o novo sistema do Serpro. Atualmente, há quase 4,9 milhões de veículos emplacados com a PIV do Mercosul. Além do Brasil, também Argentina, Paraguai e Uruguai adotaram o novo padrão.

O diferencial da placa do Mercosul em relação ao modelo atual (cinza) são os itens de segurança, como o QR Code, que possibilita a rastreabilidade, dificultando a sua clonagem e falsificação. A adoção do novo modelo também resolve o problema da falta de combinações de caracteres para as placas do país, que acabariam em poucos anos. O novo modelo permite mais de 450 milhões de combinações, o que, considerando o padrão de crescimento da frota de veículos no Brasil, pode valer por mais de cem anos.

A Resolução 780 também definiu novas regras para credenciamento de estampadores e fabricantes, que vão possibilitar aumento da concorrência, o que, pela lógica do livre mercado, deverá reduzir o valor da placa em relação ao modelo atual.

 

Assessoria Especial de Comunicação

Ministério da Infraestrutura

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Entenda como será o aviso de não-comparecimento ao recall no documento do veículo


Seguradora Líder informou que aumento ocorreu por atualização dos pagamentos feitos via Detrans e Secretaria da Fazenda. Número ainda pode aumentar. DPVAT 2020 teve alterações de valor
Rafael Miotto/G1
O número de donos de veículos que podem pedir a restituição do DPVAT 2020 aumentou de 2 milhões para 4 milhões, informou a Seguradora Líder nesta segunda-feira (20), responsável por administrar o seguro obrigatório.
DPVAT 2020, pagamento e restituição: tire suas dúvidas
Acesse o site para pedir o ressarcimento
De acordo com a gestora, o crescimento do número ocorreu por atualização dos pagamentos via Detrans e Secretaria da Fazenda, além dos prazos de compensação bancários de cada banco.
O vaivém nos valores do DPVAT fizeram motoristas pagarem mais caro pelo seguro obrigatório e, depois do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar a redução do valor, esses consumidores têm o direito a receber o estorno com a diferença de preços.
Às 15h desta segunda, o total de 510 mil pedidos de restituição foram feitos.
Quais os valores em 2020
Automóvel, táxi e carro de aluguel: R$ 5,23 – redução de 68%; era R$ 16,21 em 2019;
Ciclomotores: R$ 5,67 – redução de 71%; era R$ 19,65 em 2019;
Caminhões: R$ 5,78 – redução de 65,4%; era de R$ 16,77 em 2019;
Ônibus e micro-ônibus (sem frete): R$ 8,11 – redução de 67,3%; era de R$ 25,08 em 2019;
Ônibus e micro-ônibus (com frete): R$ 10,57 – redução de 72,1%; era de R$ 37,90 em 2019
Motos: R$ 12,30 – redução foi de 86%; era de R$ 84,58 em 2019.
Mais de 420 mil donos de carro já pediram a devolução do DPVAT pago a mais

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Nissan convoca recall de Sentra, Frontier e Pathfinder por 'airbags mortais' da Takata


De acordo com a marca, são 5.023 unidades fabricadas entre 2001 e 2008. Nissan Sentra 2004
Divulgação/Nissan
A Nissan anunciou nesta segunda-feira (20) um recall envolvendo 5.023 unidades divididas entre Frontier, Pathfinder e Sentra, relacionado ao megarecall dos “airbags mortais” da Takata. A marca diz não ter conhecimento de incidentes por este motivo no Brasil.
De acordo com a fabricante, em caso de colisão frontal com acionamento dos airbags, as bolsas podem se romper por uma pressão excessiva do deflagrador e expelir fragmentos metálicos contra os ocupantes.
Em casos extremos, o incidente pode resultar em danos físicos graves ou fatais.
Os proprietários devem agendar o reparo em uma concessionária Nissan. O serviço é gratuito e dura aproximadamente 1 hora.
Veja os detalhes dos modelos:
Segundo a Nissan, as 5.023 unidades são divididas entre 4.844 da picape Frontier, 55 do SUV Pathfinder e 124 do sedã Sentra.
Nissan convoca recall para 5.023 carros por airbags “mortais” da Takata
G1 Carros
Entenda o caso dos ‘airbags mortais’ da Takata; Brasil tem recalls
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Busca por empréstimos cresce 12,4% em 2019, aponta Serasa

Foi a maior alta anual desde 2010. População com ganho mensal de até R$ 1.000 foi a que mais solicitou crédito no ano passado, segundo levantamento. A busca dos consumidores por empréstimos nos bancos e financeiras aumentou 12,4% em 2019, na comparação com 2018, segundo o Indicador Serasa Experian, divulgado nesta segunda-feira (20).
Trata-se da maior alta anual desde 2010, quando o crescimento foi de 16,4%. Em 2018, a alta tinha sido de 6,9%.
Segundo A Serasa Experian, as quedas nas taxas de juros e a retomada gradual da economia foram os principais fatores para o aumento da busca por crédito.
A expectativa é que a procura por crédito se mantenha elevada neste ano em meio a expectativa de manutenção da taxa básica de juros em mínimas históricas. A Selic está atualmente m 4,5% ao ano.
Inadimplência cai pelo 2º mês seguido, mas ainda atinge 61 milhões de brasileiros
Veja juros bancários médios, segundo última pesquisa do Banco Central
População com renda até R$ 1 mil foi a que mais solicitou crédito
O levantamento mostra que os brasileiros com renda mensal entre R$ 500 e R$ 1.000 foram os que mais solicitaram crédito em 2019, com uma taxa de crescimento de 14%. Esta foi a única faixa que ficou acima da média nacional.
Aqueles que ganham até R$ 500 ficaram com a segunda maior variação (12%). Já entre a população de maior renda, com ganhos acima de R$10 mil, a alta foi de 10,7%.
Inadimplência cai no Brasil, mas afeta 61 milhões de pessoas
Regiões Norte e Nordeste impulsionam alta
As regiões Norte e Nordeste foram as que apresentaram o maior crescimento anual em 2019, de 16% e 13,1%, respectivamente. Apenas o Sudeste ficou abaixo da média nacional, com crescimento de 11,5% no ano.
No Centro-Oeste a alta foi de 12,9% e, no Sul, de 12,5%.

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Jáchymov, a cidade tcheca que deu ao mundo o dólar e a bomba atômica


Quinhentos anos depois de cunhar a moeda que deu origem ao dólar, uma pequena cidade mineira está aprendendo a lidar com seu passado. Jáchymov, na República Tcheca
BBC/MARTIN TRABALIK
O dólar americano é a moeda mais usada no mundo. É o padrão-ouro não oficial. Segundo o Fundo Monetário Internacional, 62% das reservas financeiras do planeta são mantidas em dólares — mais do que o dobro do total de reservas estrangeiras em euros (Europa), ienes (Japão) e renminbi (China) somados.
Trinta e uma nações o adotaram como moeda oficial ou usam o mesmo nome para suas moedas; mais de 66 países vinculam o valor de suas moedas a ele; e agora é aceito em lugares tão distantes quanto a Coreia do Norte, Sibéria e estações de pesquisa no Polo Norte.
Um lugar onde o dólar não é aceito, porém, é a pequena cidade tcheca de Jáchymov — o que é irônico, porque foi nela, escondido nas montanhas arborizadas, que o dólar surgiu, 500 anos atrás, em janeiro de 1520.
Mas quando puxei uma nota de um dólar com o rosto de George Washington da minha carteira no museu da Casa da Moeda de Jáchymov, o mesmo local onde os primeiros ancestrais do dólar foram cunhados, o professor Jan Francovič sorriu e me deteve.
“Não vejo uma nota dessas há muito tempo”, disse ele, chamando dois colegas.
“Em Jáchymov, aceitamos apenas coroas, euros ou, às vezes, rublos russos. Você é o primeiro americano a vir aqui em mais de três anos.”
Bem-vindo a Jáchymov: uma cidade sonolenta de 2.700 pessoas, perto da fronteira tcheco-alemã, que é a casa do dólar e um lugar onde não há nenhum dólar. Provavelmente, você nunca ouviu falar da cidade. Você provavelmente não sabia que ela se tornou Patrimônio Mundial da Unesco. E você provavelmente nunca soube que a moeda que alimenta o “mundo livre” se originou nesta cidade que ainda sofre após o colapso do comunismo e que tem mais bordéis do que bancos.
De fato, você pode passar um dia subindo e descendo a rua principal de Jáchymov, passando por seus edifícios góticos e renascentistas abandonados, pelo opulento aglomerado de spas na base do vale e ir até seu castelo do século 16 sem nunca perceber que era o berço do dólar.
“Como você soube? Não há sinais disso em lugar nenhum — a maioria das pessoas que moram aqui nem sabe!”, disse Michal Urban, diretor de uma ONG local e um dos autores da indicação da cidade para a Unesco, enquanto descíamos uma escada escura e entrávamos no porão da Casa da Moeda.
“Nenhuma outra cidade mineira do mundo teve uma influência tão grande quanto Jáchymov, mas esquecemos nossa história.”
Muito antes de Jáchymov existir, as montanhas ondulantes que separavam as regiões que hoje são Boêmia e a Saxônia eram governadas por lobos e ursos que vagavam por suas florestas virgens. Quando grandes quantidades de prata foram descobertas em 1516, o nobre empresário local, o conde Hieronymus Schlick, batizou a área de Joachimsthal (“vale de Joachim”) em homenagem ao avô de Jesus, o santo padroeiro dos mineiros.
“Na época, a Europa era um continente de cidades-Estado com governantes locais disputando o poder”, explicou o historiador local Jaroslav Ochec.
“Sem uma unidade monetária padrão entre eles, uma das maneiras mais eficazes de os governantes afirmarem seu controle era cunhar sua própria moeda, e foi o que Schlick fez.”
A autoridade boêmia que governava na época concedeu oficialmente a Schlick permissão para cunhar suas moedas de prata em 9 de janeiro de 1520. O conde estampou uma imagem de Joachim na frente, o leão boêmio no verso e nomeou sua nova moeda “Joachimsthalers” — que logo foi reduzida para “Thalers”.
Numa época em que o conteúdo metálico das moedas era o único determinante do valor, Schlick fazia duas coisas inteligentes para garantir a propagação e a sobrevivência da moeda. Primeiro, ele fazia o thaler do mesmo peso e diâmetro da moeda de 29,2 g Guldengroschen, usada em grande parte da Europa central, o que facilitou a aceitação pelos reinos vizinhos. E, principalmente, ele cunhou o maior número de moedas que o mundo já tinha visto.
Em apenas 10 anos, Joachimsthal se transformou: de um povoado de 1.050 pessoas no maior centro de mineração da Europa — um movimentado centro de 18.000 pessoas com 1.000 minas de prata que empregavam 8.000 mineiros.
Em 1533, Joachimsthal era a segunda maior cidade da Boêmia, depois de Praga, e em meados do século 16, Urban calcula que cerca de 12 milhões de thalers cunhados nessas montanhas haviam se espalhado por toda a Europa — muito mais do que qualquer outra moeda do continente.
As reservas de prata de Joachimsthal logo secaram, mas em 1566, o thaler era tão conhecido em toda a Europa que, quando o Sacro Império Romano procurou estabelecer um padrão de tamanho e teor de prata para as muitas moedas locais em seu reino, escolheu o thaler, chamando todas as moedas de prata de “Reichsthalers” (“thalers do império”).
“Nos 300 anos seguintes, muitos países ao redor do mundo modelaram seu dinheiro com base no thaler”, disse Urban, olhando para a vista da mina mais antiga em operação contínua da Europa e do castelo Schlick. “Logo, o thaler começou a ter uma vida própria longe daqui.”
Quando os governantes da Europa começaram a remodelar suas moedas com base no thaler, eles também as renomearam em seus próprios idiomas. Na Dinamarca, Noruega e Suécia, o thaler ficou conhecido como o “daler”.
Na Islândia, foi o “dalur”. A Itália tinha o “tallero”, que não deve ser confundido com o “talar” (Polônia), o “tàliro” (Grécia) ou o “tallér” (Hungria). Na França, era “jocandale” e “em pouco tempo havia cerca de 1.500 imitações circulando no Sacro Império Romano”, escreve Jason Goodwin em seu livro Greenback: The Almighty Dollar and the Invention of America (Greenback: O Todo-Poderoso Dólar e a Invenção da América, em tradução livre).
O thaler logo se espalhou para a África, onde foi usado na Etiópia, Quênia, Moçambique e Tanzânia até os anos 1940 — e em grande parte da Península Arábica e na Índia, onde ainda estava em circulação no século 20. A moeda oficial da Eslovênia era o “tolar” até 2007.
O dinheiro em Samoa ainda é chamado de “tālā”. Hoje, as moedas da Romênia (“leu”), Bulgária (“lev”) e Moldávia (“leu”) têm o leão estampado no primeiro thaler há 500 anos na origem de seus nomes.
Mas foi o leeuwendaler holandês (“dólar do leão”, ou “daler”, abreviado — pronunciado quase de forma idêntica ao “dólar” inglês) que deu o nome à moeda americana. Depois de chegarem a Nova Amsterdã no século 17 com colonos holandeses, os dalers se espalharam rapidamente pelas Treze Colônias, e colonos de língua inglesa começaram a chamar todas as moedas de prata com o mesmo peso assim. O dólar se tornou a moeda oficial dos EUA em 1792 e, desde então, o dólar inspirado no thaler continuou seu avanço por todo o mundo, até lugares como Austrália, Namíbia, Cingapura e Fiji.
No entanto, quando Urban e Ochec me levaram para fora da casa da moeda e passamos por uma cerca de arame farpado e uma torre de vigia militar, entendi que as minas de Jáchymov também têm motivo muito mais sombrio para a fama.
Casa da moeda de Jáchymov, na República Tcheca
BBC/ELIOT STEIN
Quando as reservas de prata da cidade diminuíram, os mineiros começaram a encontrar uma misteriosa substância negra que levou a uma incidência alarmante de doenças pulmonares fatais. Eles chamaram o mineral de uraninita de “Pechblende” (“pech” significa “má sorte” em alemão). Enquanto vasculhava as minas da cidade em 1898, uma física chamada Marie Curie identificou que o mesmo minério que havia produzido os primeiros dólares continha dois novos elementos radioativos: rádio e polônio.
A descoberta desfigurou as mãos de Curie, acabou matando-a e a levou a se tornar a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel. Mas também preparou o cenário para o improvável segundo ato da cidade: as mesmas minas que cunharam a moeda mais importante do mundo agora impulsionariam a corrida às armas nucleares.
Nas décadas seguintes, as minas de prata reabertas da cidade se tornaram a principal fonte de rádio do mundo. Os nazistas testaram um reator nuclear aqui. O “pai da bomba atômica”, J. Robert Oppenheimer, escreveu sua tese sobre os poços ricos em urânio de Joachimsthal.
E depois que a Tchecoslováquia recuperou Joachimsthal da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial — renomeando-a Jáchymov e expulsando a população de língua alemã que viveu aqui por séculos com colonos tchecos — o governo assinou um tratado secreto com Joseph Stalin que transformou a cidade em um campo de concentração russo.
“Isso começou um período muito duro da nossa história”, disse Urban, percorrendo os bosques ao longo da recém-aberta trilha de 8,5 km, chamada O Inferno de Jáchymov, que desce o vale, desde o centro de mineração de prata até o campo de concentração soviético. “Antes da guerra, as pessoas que moravam aqui eram muito orgulhosas de criar o dólar. Mas quando a população mudou, essa memória foi perdida e as minas foram exploradas para ajudar a Rússia a criar sua bomba atômica.”
Depois que a bomba atômica de Oppenheimer terminou efetivamente a Segunda Guerra Mundial, cerca de 50.000 prisioneiros políticos soviéticos foram enviados para Jáchymov, entre 1949 e 1964, para cavar e carregar urânio para alimentar o arsenal atômico da URSS. Isso quer dizer que dois dos símbolos mais fortes de poder no mundo moderno, o dólar e as armas nucleares, provêm desta pitoresca cidade mineira nas colinas da Boêmia.
Hoje, Jáchymov ainda está em disputa com seu passado tumultuado. As vastas várzeas que antes marcavam o vale começam a ser engolidas por árvores sempre verdes. As fileiras de casas do século 19, construídas com níveis tóxicos de resíduos de urânio, estão sendo lentamente destruídas e restauradas.
E a última mina em operação de Jáchymov, Svornost, que forneceu prata para os primeiros dólares, agora bombeia água radioativa para um trio de resorts luxuosos que anunciam “terapia com água de radônio”.
Ainda não há sinais em Jáchymov de que a cidade reivindique sua legítima posição como o berço do dólar. Mas se você for ao museu da Casa da Moeda da cidade e pedir aos funcionários que lhe mostrem o que há de novo, eles apontarão orgulhosamente para trás de uma mesa e mostrarão uma pequena moldura com a carinha de George Washington.

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Bilionários são mais ricos do que 60% da população mundial, diz ONG

Estudo divulgado às vésperas do Fórum Econômico Mundial em Davos mostra que mulheres são as mais afetadas pela desigualdade. Em 2019, os 2.153 bilionários que havia no mundo tinham mais dinheiro do que o total somado de 60% da população do planeta, denuncia a ONG Oxfam em um relatório que será publicado na segunda-feira (20), e destaca a concentração da riqueza em detrimento, sobretudo das mulheres, primeiras vítimas da desigualdade.
“Este enorme abismo é consequência de um sistema econômico falido e sexista, que valoriza mais a riqueza de uma elite privilegiada, em sua maioria, homens”, destaca a ONG.
O informe anual da Oxfam sobre as desigualdades mundiais é tradicionalmente publicado antes da abertura do Fórum Econômico Mundial (WEF) de Davos, na Suíça, ponto de encontro da elite política e econômica global.
Distância entre mais ricos e pobres aumentou em 2018, segundo Oxfam
O ano de 2019 também foi marcado por movimentos de protestos em todo o mundo, do Chile ao Oriente Médio, passando pela França.
“Os governos de todo o mundo devem tomar medidas urgentes para construir uma economia mais humana e feminista, que valorize o que realmente importa para a sociedade”, aponta a Oxfam, que propõe entre outras medidas a implantação de “um modelo fiscal progressivo no qual também se taxe a riqueza”.
Segundo cifras da ONG, com base em dados publicados pela revista Forbes e o banco Crédit Suisse —mas cuja metodologia foi criticada por alguns economistas —, 2.153 pessoas têm agora mais dinheiro do que os 4,6 bilhões de pessoas mais pobres do planeta.
DAVOS: Fórum comemora 50 anos em meio a crise climática
Por outro lado, a fortuna do 1% mais rico do mundo corresponde a mais que o dobro da riqueza acumulada dos 6,9 bilhões de pessoas menos ricas, ou seja, 92% da população do planeta.
‘Mulheres na 1ª fila da desigualdade’
Segundo cálculos da Oxfam, 42% das mulheres no mundo não conseguem ter um trabalho remunerado devido à carga grande demais de trabalho com cuidados nos âmbitos privado ou familiar contra apenas 6% dos homens.
“As mulheres estão na primeira fila das desigualdades devido a um sistema econômico que as discrimina e as aprisiona nos ofícios mais precários e menos remunerados, a começar pelo setor de cuidados”, afirmou Pauline Leclère, porta-voz da Oxfam France, citada em um comunicado.
Apesar de que cuidar dos demais, cozinhar ou limpar sejam tarefas essenciais, “a pesada e desigual responsabilidade do trabalho de cuidados que recai nas mulheres perpetua tanto as desigualdades econômicas quanto a desigualdade de gênero”, diz a ONG.
DESIGUALDADE: Como o pagamento desigual entre homens e mulheres atrapalha a economia brasileira
A Oxfam estima o valor monetário do trabalho de cuidados não remunerado das mulheres com mais de 15 anos em 10,8 trilhões de dólares a cada ano.
Fórum Econômico Mundial
O evento anual em Davos, na Suíça, começa nesta terça-feira — e deve contar com o presidente dos EUA, Donald Trump, e a ativista ambiental Greta Thunberg. O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, anunciou que não vai à reunião.
Desde 1971, o Fórum Econômico Mundial reúne empresários e líderes políticos na estação de esqui na Suíça, com o objetivo de ser um “centro de reflexão” sobre o futuro. Como todos os grandes eventos internacionais, é provável que reflita as múltiplas divisões globais.
É esperado que o meio ambiente seja um dos temas mais abordados no encontro de 2020. Veja no VÍDEO abaixo.
Questão ambiental estará no centro das discussões do Fórum Econômico de Davos

Referência

Veja as vagas de emprego do Sine Macapá para o dia 20 de janeiro


São oportunidades para auxiliar de cozinha, garçom, chapeiro de restaurante, entre outros. Há vagas para auxiliar de cozinha no Sine Amapá
Fred Loureiro/Secom
O Sistema Nacional de Emprego no Amapá (Sine-AP) oferece vagas de empregos para Macapá. O número de vagas está disponível de acordo com as empresas cadastradas no Sine e são para todos os níveis de escolaridade e experiência.
Os interessados podem procurar o Sine, localizado na Rua General Rondon, nº 2350, em frente à praça Floriano Peixoto. Em toda a rede Super Fácil tem guichês do Sine e neles é possível obter informações sobre vagas na capital.
Para se cadastrar e atualizar os dados, o trabalhador deverá apresentar Carteira de Trabalho, RG, CPF e comprovante de residência (atualizado).
Veja as vagas disponíveis de acordo com as solicitações das empresas:
atendente de telemarketing
auxiliar de cozinha
auxiliar financeiro
atendente de lanchonete
cobrador externo
empregada doméstica
chapeiro de restaurante
encarregado de padaria
garçom
gerente de restaurante
mecânico de automóveis
mestre doceiro
almoxarife
promotor de vendas externo
trabalhador rural
comprador
secretária
recepcionista
O Sine informa que as vagas oferecidas podem sofrer alterações de um dia para o outro, pois o sistema não contabiliza os atendimentos ao longo do dia realizado nas unidades Superfácil, que funcionam após o fechamento da agência central.
Para ler mais notícias do estado, acesse o G1 Amapá.

Referência

Usuários relatam instabilidade no WhatsApp neste domingo


Entre as principais reclamações citadas por internautas eram as falhas no envio de mídias como áudios e figurinhas. WhatsApp
Reprodução/G1
Usuários do WhatsApp usaram as redes sociais para relatar problemas no funcionamento da plataforma neste domingo (19). Entre as principais reclamações citadas por internautas eram as falhas no envio de mídias como áudios e figurinhas.
O site Down Detector, que aglomera relatos de consumidores sobre o status de serviços online, apresentou uma alta no nível de reclamações a partir das 7h49, atingindo seu pico por volta das 10h.
Usuários relatam instabilidade no WhatsApp neste domingo
Down Detector
O G1 tentou contato com a assessoria da plataforma, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
A falha no funcionamento acabou rendendo memes criados por internautas no Twitter. Veja repercussão na rede social:
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Referência