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Chery Tiggo 5X ganha visual atualizado e parte de R$ 91.990


SUV também ganhou uma nova central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay, e sistema de câmeras 360°. Chery Tiggo 5X ganha atualização visual; dianteira concentra a maior parte das novidades
Divulgação/Caoa Chery
Mesmo estando há apenas um ano nas lojas brasileiras, o Chery Tiggo 5X já passa por sua primeira mudança visual e de equipamentos. Com as novidades, o preço também mudou: agora o SUV parte de R$ 91.990, ou R$ 3 mil a mais.
A maior parte das alterações visuais estão na dianteira, que foi toda redesenhada. O para-choque ganhou aberturas maiores, enquanto a grade com bordas pretas desce formando um conjunto visual único. Além disso, a grade profusão de cromados foi deixada de lado.
Os faróis perderam a curvatura inferior que abrigava a luz de seta e uma parte dos LEDs diurnos, que agora estão no para-choque.
Na traseira do SUV, a barra cromada agora invade as lanternas
Divulgação/Caoa Chery
A traseira teve mudanças mais discretas, com a barra cromada que invade as lanternas, que também foram redesenhadas. As rodas são as mesmas.
Entre os equipamentos as novidades ficam na central multimídia, com tela de 9 polegadas, que ganha um novo sistema com Android Auto e Apple CarPlay. A versão topo de linha, TXS, ganhou também câmera 360°, assim como no rival Nissan Kicks.
Faróis agora têm linhas mais retilínias e luzes diurnas estão no para-choque
Divulgação/Caoa Chery
Versões
O Tiggo 5X é vendido em duas configurações diferentes, a T e a TXS. A Caoa Chery divulgou apenas o valor da versão de entrada para a linha 2021.
As duas são equipadas com motor 1.5 turbo flex de 150 cv com etanol e 147 cv com gasolina. A transmissão é automatizada de dupla embreagem, com 6 marchas, e a suspensão traseira é Multilink.
O SUV é completo desde a versão T, com controles de tração e estabilidade, freio de estacionamento eletrônico, rebatimento elétrico dos retrovisores, indicador de pressão e temperatura dos pneus, faróis com ajuste elétrico de altura, alarme e piloto automático.
Interior do Tiggo 5X tem nova central multimídia com sistema de câmeras 360°
Divulgação/Caoa Chery
Há ainda sensores de estacionamento traseiros, câmera de ré, destravamento das portas por aproximação, faróis automáticos, ar-condicionado digital, assistente de partida em rampas e lanternas de neblina.
A versão topo de linha, TXS, adiciona faróis de neblina com assistência em curvas, airbags laterais e de cortina, bancos de couro, teto solar panorâmico e banco do motorista com regulagem elétrica.

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EUA não veem impacto do coronavírus em acordo comercial com China, por enquanto

Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, destacou que só nas próximas semanas será possível ter uma melhor avaliação sobre a taxa de propagação do vírus. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, disse que não espera que o surto de coronavírus tenha um impacto material na Fase 1 do acordo comercial entre os EUA e a China, embora isso possa mudar à medida que mais dados estiverem disponíveis nas próximas semanas.
Autoridades da área financeira das 20 maiores economias do mundo disseram no domingo que estavam acompanhando de perto o surto de rápida expansão, mas evitaram identificá-lo como um risco negativo para a economia global.
Aumento do número de casos de coronavírus fora da China abala mercados globais
Novo coronavírus: Itália confirma quarta morte e impõe quarentena a mais de 50 mil pessoas
O medo de uma pandemia de coronavírus aumentou enquanto eles se reuniam na capital saudita de Riad, com crescimento acentuado em novos casos relatados no Irã, Itália e Coreia do Sul.
Mnuchin, em entrevista à Reuters no final do domingo, alertou contra conclusões precipitadas sobre o impacto do que ele chamou de “tragédia humana” na economia global ou nas decisões sobre as cadeias de suprimentos das empresas, dizendo que é muito cedo para saber.
A China está focada no vírus por enquanto, disse ele, mas Washington ainda espera que Pequim cumpra seus compromissos de comprar mais produtos e serviços dos EUA sob o acordo comercial.
“Não espero que isso tenha implicações na Fase 1. Com base em tudo o que sabemos, e onde está o vírus agora, não espero que seja material”, disse ele.
“Obviamente, isso pode mudar à medida que a situação se desenvolve. Nas próximas semanas, todos teremos uma avaliação melhor, pois haverá mais dados sobre a taxa de propagação do vírus.”
Mnuchin se encontrou no domingo com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, disse um funcionário do governo dos EUA, mas não deu detalhes sobre a reunião.
China alivia ainda mais restrições de importação à carne bovina dos EUA
A alfândega chinesa informou nesta segunda-feira que suspendeu condicionalmente a proibição à carne e a produtos bovinos dos Estados Unidos de vacas com mais de 30 meses de idade, após a promessa de Pequim de aumentar as compras Estados Unidos sob a Fase 1 do acordo comercial entre os dois países.
Os requisitos de inspeção e quarentena desses produtos e da carne bovina dos EUA serão definidos e divulgados separadamente, disse um aviso no site da Administração Geral das Alfândegas, datado de 19 de fevereiro.
A China disse na semana passada que concederá isenções de impostos de retaliação a 696 produtos dos EUA, incluindo produtos agrícolas importantes como soja e carnes bovina e suína.
A medida também é anunciada no momento em que a China enfrenta uma grave escassez de carne depois que a peste suína africana reduziu o rebanho de porcos do país em mais de 40%, ao mesmo tempo em que as medidas para conter o surto de coronavírus afetam ainda mais a oferta de animais e aves no país mais populoso do mundo.
A China suspendeu pela primeira vez uma proibição de 14 anos à carne bovina dos EUA em 2017, permitindo importações de carne desossada e carne de vacas americanas com menos de 30 meses de idade.

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Educação Financeira #78: no carnaval, veja como fugir da ressaca financeira


Veja cuidados para aproveitar a folia sem estourar o orçamento. O que são podcasts?
Podcasts são episódios de programas de áudio distribuídos pela internet e que podem ser apreciados em diversas plataformas – inclusive no G1, no GloboEsporte.com e no gshow, de modo gratuito.
Os conteúdos podem ser ouvidos sob demanda, ou seja, quando e como você quiser!
Geralmente, os podcasts costumam abordar um tema específico e de aprofundamento na tentativa de construir um público fiel.
Logo podcast Educação Financeira
Comunicação/Globo

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‘Somos cada vez menos felizes e produtivos porque estamos viciados na tecnologia’


A jornalista espanhola Marta Peirano escreveu um livro sobre como as novas tecnologias nos viciam, ‘sugam’ outros prazeres da vida e, ao mesmo tempo, são uma poderosa arma de informação e controle para empresas e governos. Desde os anos 90, quando descobriu a cena dos hackers em Madri, a jornalista espanhola Marta Peirano estuda a tecnologia de forma crítica
Álvaro Minguito/BBC
“Há um usuário novo, uma notícia nova, um novo recurso. Alguém fez algo, publicou algo, enviou uma foto de algo, rotulou algo. Você tem cinco mensagens, vinte curtidas, doze comentários, oito retweets. (…) As pessoas que você segue seguem esta conta, estão falando sobre este tópico, lendo este livro, assistindo a este vídeo, usando este boné, comendo esta tigela de iogurte com mirtilos, bebendo este drinque, cantando esta música.”
O cotidiano digital descrito pela jornalista espanhola Marta Peirano, autora do livro El enemigo conoce el sistema (O inimigo conhece o sistema, em tradução livre), esconde na verdade algo nada trivial: um sequestro rotineiro de nossos cérebros, energia, horas de sono e até da possibilidade de amar no que ela chama de “economia da atenção”, movida por tecnologias como o celular.
Nesse ciclo, os poderosos do sistema enriquecem e contam com os melhores cérebros do mundo trabalhando para aumentar os lucros enquanto entregamos tudo a eles.
“O preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você oferece em troca”, diz a jornalista.
Desde os anos 90, quando descobriu a cena dos hackers em Madri, até hoje, ela não parou de enxergar a tecnologia com um olhar crítico e reflexivo. Seu livro narra desde o início libertário da revolução digital até seu caminho para uma “ditadura em potencial”, que para ela avança aos trancos e barrancos, sem que percebamos muito.
Marta Peirano foi uma das participantes do evento Hay Festival Cartagena, um encontro de escritores e pensadores que aconteceu na cidade colombiana entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro. A seguir, leia a entrevista concedida à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
BBC News Mundo – Você diz que a ‘economia da atenção’ nos rouba horas de sono, descanso e vida social. Por quê?
Marta Peirano – A economia da atenção, ou o capitalismo de vigilância, ganha dinheiro chamando nossa atenção. É um modelo de negócios que depende que instalemos seus aplicativos, para que eles tenham um posto de vigilância de nossas vidas. Pode ser uma TV inteligente, um celular no bolso, uma caixinha de som de última geração, uma assinatura da Netflix ou da Apple.
E eles querem que você os use pelo maior tempo possível, porque é assim que você gera dados que os fazem ganhar dinheiro.
BBC News Mundo – Quais dados são gerados enquanto alguém assiste a uma série, por exemplo?
Peirano – A Netflix tem muitos recursos para garantir que, em vez de assistir a um capítulo por semana, como fazíamos antes, você veja toda a temporada em uma maratona. Seu próprio sistema de vigilância sabe quanto tempo passamos assistindo, quando paramos para ir ao banheiro ou jantar, a quantos episódios somos capazes de assistir antes de adormecer. Isso os ajuda a refinar sua interface.
Se chegarmos ao capítulo quatro e formos para a cama, eles sabem que esse é um ponto de desconexão. Então eles chamarão 50 gênios para resolver isso e, na próxima série, ficaremos até o capítulo sete.
BBC News Mundo – Os maiores cérebros do mundo trabalham para sugar nossa vida?
Peirano – Todos os aplicativos existentes são baseados no design mais viciante de que se tem notícia, uma espécie de caça-níquel que faz o sistema produzir o maior número possível de pequenos eventos inesperados no menor tempo possível. Na indústria de jogos, isso é chamado de frequência de eventos. Quanto maior a frequência, mais rápido você fica viciado, pois é uma sequência de dopamina.
Toda vez que há um evento, você recebe uma injeção de dopamina — quanto mais eventos encaixados em uma hora, mais você fica viciado.
BBC News Mundo – Todo tuíte que leio, todo post no Facebook que chama minha atenção, toda pessoa no Tinder de quem gosto é um ‘evento’?
Peirano – São eventos. E na psicologia do condicionamento, há o condicionamento de intervalo variável, no qual você não sabe o que vai acontecer. Você abre o Twitter e não sabe se vai retuitar algo ou se vai se tornar a rainha da sua galera pelos próximos 20 minutos.
Não sabendo se receberá uma recompensa, uma punição ou nada, você fica viciado mais rapidamente.
A lógica deste mecanismo faz com que você continue tentando, para entender o padrão. E quanto menos padrão houver, mais seu cérebro ficará preso e continuará, como os ratinhos na caixa de [B.F.] Skinner, que inventou o condicionamento de intervalo variável. O rato ativa a alavanca obsessivamente, a comida saindo ou não.
‘Todos os aplicativos existentes são baseados no design mais viciante de que se tem notícia’, diz Marta Peirano
Getty Images/BBC
BBC News Mundo – Os adultos podem entender isso, mas o que acontece com as crianças que apresentam sintomas de abstinência quando não estão conectadas ao Instagram, YouTube, Snapchat, Tik Tok por exemplo?
Peirano – As redes sociais são como máquinas caça-níqueis, quantificadas na forma de curtidas, corações, quantas pessoas viram seu post. E isso gera um vício especial, porque trata-se do que a sua comunidade diz — se o aceita, se o valoriza. Quando essa aceitação, que é completamente ilusória, entra em sua vida, você fica viciado, porque somos condicionados a querer ser parte do grupo.
Eles [as empresas] conseguiram quantificar essa avaliação e transformá-la em uma injeção de dopamina. As crianças ficam viciadas? Mais rápido do que qualquer um. E não é que elas não tenham força de vontade, é que elas nem entendem por que isso pode ser ruim.
Não deixamos nossos filhos beberem Coca-Cola e comer balas porque sabemos que o açúcar é prejudicial; mas damos a eles telas para serem entretidos, porque dessa forma não precisamos interagir com eles.
BBC News Mundo – E o que podemos fazer?
Peirano – Interagir com elas. Uma criança que não tem uma tela fica entediada. E uma criança entediada pode ser irritante, se você não estiver disposto a interagir com ela, porque talvez você prefira estar fazendo outras coisas.
BBC News Mundo – Olhando para sua própria tela, por exemplo?
Peirano – Vemos famílias inteiras ligadas ao celular e o que está acontecendo é que cada um está administrando seu próprio vício. Todo mundo sabe que os jogos de azar são ruins, que a heroína é ruim, mas o Twitter, o Facebook, não — porque eles também se tornaram ferramentas de produtividade.
Então, eu, que sou jornalista, quando entro no Twitter é porque preciso me informar; a cabeleireira no Instagram estará assistindo a um tutorial; há uma desculpa para todos.
O vício é o mesmo, mas cada um o administra de maneira diferente. E dizemos a nós mesmos que não é um vício, mas que estamos ficando atualizados e mais produtivos.
BBC News Mundo – Poderíamos nos caracterizar como viciados em tecnologia?
Peirano – Não somos viciados em tecnologia, somos viciados em injeções de dopamina que certas tecnologias incluíram em suas plataformas. Isso não é por acaso, é deliberado.
Há um homem ensinando em Stanford (universidade) àqueles que criam startups para gerar esse tipo de dependência.
Existem consultores no mundo que vão às empresas para explicar como provocá-la. A economia da atenção usa o vício para otimizar o tempo que gastamos na frente das telas.
Peirano diz que todos estamos viciados, mas cada um administra — e justifica — seu vício de uma maneira diferente
Getty Images/BBC
BBC News Mundo – Como você fala no livro, isso também acontece com a comida, certo? Somos manipulados por cheiros, ingredientes, e nos culpamos por falta de vontade e autocontrole (na dieta, por exemplo).
Peirano – É quase um ciclo de abuso, porque a empresa contrata 150 gênios para criar um produto que gera dependência instantânea.
Seu cérebro é manipulado para que a combinação exata de gordura, açúcar e sal gere uma sensação boa, mas como isso [a combinação] não nutre o corpo, a fome nunca passa, e você experimenta um tipo de curto-circuito: seu cérebro está pedindo mais, porque é gostoso, mas o resto do seu corpo diz que está com fome.
Como no anúncio da Pringles, “Once you pop, you can’t stop” [depois que você abre, não consegue parar, em tradução livre]. O que é absolutamente verdade, porque abro um pote e até que eu o coma inteiro, não consigo pensar em outra coisa.
Então, dizem: ‘bem, isso é porque você é um glutão’. O pecado da gula! Como você não sabe se controlar, vou vender um produto que você pode comer e comer e não fará você engordar, os iogurtes light, a Coca-Cola sem açúcar.
E a culpa faz parte desse processo. No momento, no Vale do Silício, muitas pessoas estão fazendo aplicativos para que você gaste menos tempo nos aplicativos. Esse é o iogurte.
BBC News Mundo – Essa conscientização, de entender como funciona, ajuda? É o primeiro passo?
Peirano – Acho que sim. Também percebo que o vício não tem nada a ver com o conteúdo dos aplicativos.
Você não é viciado em notícias, é viciado em Twitter; não é viciado em decoração de interiores, é viciado em Pinterest; não é viciado em seus amigos ou nos seus filhos maravilhosos cujas fotos são postadas, você é viciado em Instagram.
O vício é gerado pelo aplicativo e, quando você o entende, começa a vê-lo de maneira diferente. Não é falta de vontade: eles são projetados para oferecer cargas de dopamina, que dão satisfação imediata e afastam de qualquer outra coisa que não dá isso na mesma medida, como brincar com seu filho, passar tempo com seu parceiro, ir para a natureza ou terminar um trabalho — tudo isso exige uma dedicação, já que há satisfação, só que não imediata.
BBC News Mundo – De tudo o que você cita, manipulações, vigilância, vícios, o que mais a assusta?
Peirano – O que mais me preocupa é a facilidade com que as pessoas estão convencidas a renunciar aos seus direitos mais fundamentais e a dizer: quem se importa com meus dados? Quem se importa com onde eu estive?
Há 40 anos, pessoas morriam pelo direito de se encontrar com outras pessoas sem que o governo soubesse suas identidades; pelo direito de ter conversas privadas ou pelo direito de sua empresa não saber se há uma pessoa com câncer em sua família.
Custou-nos muito sangue para obtê-los (os direitos) e agora estamos abandonando-os com um desprendimento que não é natural — é implantado e alimentado por um ecossistema que se beneficia dessa leveza.
BBC News Mundo – Quando você envia um email, sabe que outros podem lê-lo, mas de fato pensamos: quem se importará com o que eu escrevo?
Peirano – Ninguém realmente se importa, até o momento que se importe, porque todo esse material é armazenado e, se estiver disponível para o governo, ele terá ferramentas para contar qualquer história sobre você. E você não poderá refutá-lo.
Se o governo quiser colocá-lo na cadeia porque você produz um material crítico, ele pode encontrar uma maneira de vinculá-lo a um terrorista. Bem, talvez seus filhos tenham estudado juntos por um tempo e possa ser mostrado que as placas dos seus carros coincidiram várias vezes na mesma estrada por três anos. Nesse sentido, seus dados são perigosos.
O vício em aplicativos não tem a ver diretamente com o conteúdo deles, mas com seu design, que desperta injeções de dopaminas
Getty Images/BBC
BBC News Mundo – Você diz no livro que “2,5 quintilhões de dados são gerados todos os dias”, incluindo milhões de e-mails, tuítes, horas de Netflix e pesquisas no Google. O que acontece com tudo isso?
Peirano – Estamos obcecados com nossos dados pessoais, fotos, mensagens… Mas o valor de verdade é estatístico, porque suas mensagens, com as de outras bilhões de pessoas, informam a uma empresa ou a um governo quem somos coletivamente.
Eles os usam primeiro para os anunciantes. E depois para criar previsões, porque este é um mercado de futuros.
Eles sabem que quando, em um país com certas características, o preço da eletricidade sobe entre 12% e 15%, acontece X; mas, se sobe entre 17% e 30%, outra coisa Y acontece. As previsões são usadas para manipular e ajustar suas atividades — para saber, por exemplo, até onde você pode prejudicar a população com o preço das coisas antes ela se revolte contra você ou comece a se suicidar em massa.
BBC News Mundo – Como o que aconteceu no Chile, com manifestações motivadas inicialmente pelo aumento no preço da passagem do metrô..?
Peirano – Talvez o governo chileno não esteja processando dessa maneira, mas o Facebook está, o Google está — porque todas as pessoas na rua têm o celular no bolso. E elas o carregaram durante os últimos anos de sua vida.
O Facebook sabe em que bairros aconteceu o que e por quê; como as pessoas se reúnem e como se dispersam; quantos policiais precisam chegar para que a manifestação se dissolva sem mortes.
BBC News Mundo – Mas quem está disposto a ficar sem o celular, a internet? Qual é o caminho para o cidadão normal?
Peirano – O problema não é o celular, não é a internet. Todas as tecnologias das quais dependemos são ferramentas da vida contemporânea, voluntariamente as colocamos em nossos celulares. Mas elas não precisam da vigilância para funcionar, nem precisam monitorar você para prestar um serviço. Eles não precisam disso, o que acontece é que a economia de dados é muito gulosa.
BBC News Mundo – Os negócios são tão lucrativos que vão continuar a fazê-lo da mesma maneira ainda que tentemos impor limites?
Peirano – É muito difícil para um governo enfrentar tecnologias que facilitam esse controle populacional, que é interessante. Mas a ideia é exigir que isso aconteça.
Se, agora, você desativar todos os sistemas de geolocalização do seu celular, eles continuarão a geolocalizá-lo.
Assim como no Facebook ou no Twitter, em que você pode bloquear o que posta para algumas pessoas ou para todos — somente você… e o Facebook veem. O que acontece nos centros de dados deles, acontece para você e para eles. Você não pode bloquear o Facebook, porque você está no Facebook.
‘Se, agora, você desativar todos os sistemas de geolocalização do seu celular, eles continuarão a geolocalizá-lo’, alerta jornalista espanhola
Getty Images/BBC
BBC News Mundo – Você está sugerindo que precisamos nos rebelar e exigir privacidade?
Peirano – Mas não contra empresas. É natural que elas se beneficiem de uma fonte de financiamento tão barata e gloriosamente eficaz.
O que não é natural é que um governo destinado a proteger os direitos de seus cidadãos o permita. E a questão é que cada vez mais governos chegam ao poder graças a essas ferramentas.
Então, o que deve ser feito? Precisamos começar a transformar essa questão fundamental em um debate política nos níveis local e mais amplo, ou seja, em ação coletiva, ação política.
BBC News Mundo – Esse debate está acontecendo em algum lugar do mundo?
Peirano – Nas primárias democratas da campanha presidencial dos EUA deste ano, essa é uma das questões cruciais. Está em debate se essas empresas devem ser gerenciadas de outra maneira ou serem fragmentadas, porque além de tudo também são um monopólio.
No entanto, na Europa e na América Latina, nos cansamos de falar sobre notícias falsas, seus efeitos, campanhas tóxicas… Na Espanha, houve três eleições gerais em três anos e nenhum político fala sobre isso.
BBC News Mundo – O sistema é nosso inimigo, então?
Peirano – Somos integrados a e dependemos de sistemas que não sabemos como funcionam ou o que querem de nós. Facebook, Google e outros dizem que querem que nossa vida seja mais fácil, que entremos em contato com nossos entes queridos, que sejamos mais eficientes e trabalhemos melhor, mas o objetivo deles não é esse, eles não foram projetados para isso, mas para sugar nossos dados, nos manipular e vender coisas.
Eles nos exploram e, além disso, somos cada vez menos felizes e menos produtivos, porque somos viciados [na tecnologia].

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Maia defende que Câmara vote projetos da agenda econômica

As inscrições começam nesta quinta-feira (27), pela internet. O cargo oferecido é o de cuidador para atendimento a alunos com deficiência. A Secretaria Estadual de Educação (Sedu) abriu processo seletivo com vagas, em regime de designação temporária, para o cargo de cuidador para atendimento a alunos com deficiência. As inscrições começam nesta quinta-feira (27), pela internet. Confira o edital.
Concursos e Emprego no Espírito Santo
Os cuidadores atuam junto à equipe escolar, no apoio necessário aos estudantes com deficiência e/ou Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) que, por causa de necessidades específicas, precisam de mediação nas atividades de alimentação, locomoção/mobilidade e higienização e necessidades correlatas.
Cabe a eles acompanhar e auxiliar o (a) estudante com deficiência severamente comprometida no desenvolvimento das atividades rotineiras, cuidando para que ela tenha suas necessidades básicas (fisiológicas e afetivas) atendidas.
A carga horária é de 30 horas semanais e a remuneração de R$ 1.039,00 para atuação nas escolas de tempo parcial. Também há opção de carga horária de 40 horas semanais e salário de 1.385,33 para atuação nas escolas de tempo integral.
Inscrições
As inscrições serão realizadas exclusivamente por meio eletrônico, pelo site www.selecao.es.gov.br, entre as 14h do dia 27/02/2020 e às 17h do dia 04/03/2020.
Os candidatos que se inscreverem neste processo serão chamados de acordo com as necessidades da Sedu.
Veja o plantão de últimas notícias do G1 Espírito Santo

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Crescimento global será modesto em 2020 e 2021, preveem líderes financeiros no G20


Documento final citou condições financeiras mais cômodas e sinais de redução das tensões comerciais, mas surto de coronavírus preocupa autoridades. Os líderes financeiros das 20 principais economias do mundo estimam um crescimento modesto neste ano e no próximo, devido à política monetária frouxa e à diminuição das tensões comerciais, e prometeram monitorar os efeitos do surto de coronavírus.
Os ministros das Finanças e os chefes de bancos centrais do G20 assistiram a uma apresentação sóbria do Fundo Monetário Internacional (FMI), que previu que o coronavírus reduzirá 0,1 ponto percentual do crescimento global.
“O crescimento global deverá crescer modestamente em 2020 e 2021. A recuperação é apoiada pela continuidade de condições financeiras mais cômodas e por alguns sinais de redução das tensões comerciais”, afirmou o comunicado final dos líderes financeiros divulgado neste domingo (23).
“Aprimoraremos o monitoramento global de riscos, incluindo o recente surto de Covid-19. Estamos prontos para tomar medidas adicionais para lidar com esses riscos”, afirmou o documento.
O presidente chinês, Xi Jinping, que não esteve presente à reunião das principais economias do mundo, passou a mensagem de que Pequim intensificará medidas para ajudar a amortecer as consequências do coronavírus na economia.
“O surto por coronavírus terá inevitavelmente um impacto relativamente grande na economia e na sociedade”, disse Xi, acrescentando que o impacto seria de curto prazo e controlável. A China esteve representada na reunião do G20 por seu embaixador na Arábia Saudita.
“Discutimos o surto de coronavírus na China e em outros países e todos do G20 concordaram coletivamente em estar prontos para intervir com as políticas necessárias”, disse o ministro das Finanças da Arábia Saudita, Mohammed al-Jadaan, em entrevista coletiva.
O ministro das Finanças da Arábia Saudita, Mohammed al-Jadaan, em entrevista coletiva
Ahmed Yosri/Reuters
“No atual cenário, as políticas anunciadas serão implementadas e a economia da China retornará ao normal no segundo trimestre. Como resultado, o impacto na economia mundial seria relativamente menor e de curta duração”, disse no sábado a diretora do FMI, Kristalina Georgieva.
“Mas também estamos analisando cenários mais terríveis em que a disseminação do vírus continua por mais tempo e globalmente, e as conseqüências do crescimento são mais prolongadas”, acrescentou.
O número de casos de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, subiu para 77.048 na China, 656 a mais que o registrado no último levantamento. Foram registradas 2.445 mortes, 97 a mais que no último balanço. No mundo, são 1.712 pacientes em 29 países que estão com o novo coronavírus, 460 a mais que no último levantamento, e 22 pessoas já morreram.
Taxação de gigantes digitais
Os ministros e banqueiros centrais também endossaram o trabalho da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que está desenvolvendo regras globais para fazer as gigantes digitais como Google, Amazon e Facebook pagarem impostos onde fazem negócios, e não onde registram subsidiárias.
A OCDE quer estabelecer um nível efetivo mínimo no qual essas empresas sejam tributadas e busca um acordo até o início de julho, com a aprovação do G20 até o final do ano.
O objetivo é evitar a proliferação de diferentes regimes fiscais digitais em todo o mundo. Segundo a OCDE, isso pode aumentar as receitas fiscais nacionais em um total de US$ 100 bilhões por ano.
A chave do acordo é a cooperação dos Estados Unidos, que vem impedindo o progresso, sem ter certeza do impacto político do acordo em um ano de eleições presidenciais.
Os esforços da OCDE foram paralisados no final do ano passado pelas mudanças de última hora exigidas por Washington, que muitas autoridades do G20 consideram relutantes em lidar com um assunto politicamente complicado antes das eleições presidenciais.
Vários países europeus, incluindo França, Espanha, Áustria, Itália, Grã-Bretanha e Hungria, já têm um plano para um imposto digital ou estão trabalhando em um, criando o risco de um sistema global altamente fragmentado.
O presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, disse em 14 de fevereiro que estaria pronto para pagar mais impostos na Europa e receberia com satisfação uma solução global da OCDE que tornaria as taxas uniformes.

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O que explica a incrível ascensão e o vertiginoso declínio dos patinetes no Brasil


Os patinetes elétricos chegaram a várias cidades do país prometendo ser uma alternativa moderna e sustentável de transporte; mas, em pouco tempo, as principais empresas do mercado anunciaram que estavam indo embora ou reduzindo drasticamente sua operação. O que houve? Patinetes são promissores, mas falta de planejamento, falhas do poder público e modelo de negócios são desafios para serviço se consolidar
Getty Images/BBC
Eles chegaram com estardalhaço. Da noite para o dia, milhares de patinetes elétricos apareceram pelas ruas. Muita gente, empolgada com a novidade, aderiu por diversão ou como uma alternativa moderna de transporte. Coisa “de primeiro mundo”. Era o futuro, agora.
Mas logo vieram os problemas. Os patinetes ficavam amontoados nas calçadas. Circulavam sobre elas. Foram roubados e depredados. O zigue-zague no meio ao trânsito provocou acidentes. Houve até morte. O poder público correu atrás para arrumar a bagunça. Fez apreensões e criou regras. Parecia que ia melhorar.
Então, em questão de meses, a Lime e a Grow, as duas principais empresas que ofereciam esse tipo de serviço em cidades brasileiras, anunciaram que estavam indo embora do país ou reduzindo drasticamente suas operações.
Assim como surgiram, de uma hora para a outra, os patinetes praticamente sumiram em muitos lugares. Mas o que houve?
Procuradas pela BBC News Brasil, a Lime e a Grow informaram que não dariam entrevistas sobre o assunto.
Por sua vez, especialistas apontam como razão desse vertiginoso declínio o fato de o serviço ser elitizado e não ter conseguido se firmar como uma opção de transporte, além de falhas do poder público e problemas enfrentados por esse tipo de negócio.
“O objetivo dessas empresas nunca foi oferecer uma solução de mobilidade. O patinete, como e onde é ofertado e por ser inseguro para o usuário, não cumpre a função de ser uma alternativa de deslocamento”, diz Daniel Guth, pesquisador e consultor em políticas de mobilidade urbana e coordenador de projetos da Aliança Bike, associação que reúne empresas de bicicleta.
O patinete fez sucesso por ser prático: o usuário só precisa de um celular para se registrar, achar um por perto, destravá-lo e sair pilotando. Ao terminar, basta encerrar a viagem e deixá-lo na rua para a próxima pessoa usar.
Mas Guth destaca que eles só são encontrados nas regiões centrais e mais nobres das cidades e não são baratos: custam R$ 3 para serem desbloqueados e, depois, mais R$ 0,50 por cada minuto de uso.
“Só para destravar, é quase o preço de uma passagem de ônibus. Isso afugenta os usuários de baixa renda. Acabam atendendo só pessoas de classe A e B que circulam onde eles estão disponíveis. É algo para poucos”, afirma o pesquisador.
Altos custos e prejuízo de milhões de dólares
A esse público restrito se soma o alto investimento para manter os patinetes em circulação. As empresas precisam ter equipes para recarregar baterias e colocá-los de volta nas ruas. E também para coletá-los e redistribuí-los pela cidade e garantir que estejam disponíveis onde as pessoas mais precisam, o que é fundamental para aderirem ao serviço.
As empresas também reclamam que os impostos aplicados no Brasil sobre os patinetes, importados em sua grande maioria da China, chegam a duplicar seu custo.
Recarregar e redistribuir os patinetes pela cidade tornam a operação do serviço complexa
Divulgação/BBC
Além disso, elas usam modelos de patinetes criados originalmente para uso individual e que não foram pensados para resistir a dezenas ou mesmo centenas de viagens todos os dias. Por isso, eles precisam ser consertados ou substituídos em questão de semanas.
A americana Lime deixou claro que a conta não fechava no Brasil quando anunciou o fim do seu serviço no Rio de Janeiro e em São Paulo, as duas cidades em que atuava no país, e também em outras sete cidades na América Latina.
“A independência financeira é nossa meta para 2020, e estamos confiantes de que seremos a primeira empresa de mobilidade de próxima geração a alcançar lucratividade”, afirmou a empresa em um comunicado na época. Os mercados da América Latina eram um obstáculo para a Lime atingir esse objetivo.
A operação do sistema também se provou complexa para a Grow, resultado de uma fusão realizada em meados do ano passado entre a mexicana Grin e a brasileira Yellow no Brasil. Ambas lançaram seus serviços no Brasil no segundo semestre de 2018.
Em janeiro, a Grow divulgou ter parado de atuar em 14 cidades brasileiras. Permanece agora apenas em São Paulo, Rio e Curitiba.
A mudança é um ajuste operacional que faz parte de um processo de reestruturação da empresa para continuar prestando serviços de forma estável, eficiente e segura e consolidar sua atuação na América Latina, afirma a companhia.
O que vem acontecendo por aqui não é uma exclusividade do Brasil. Empresas de aluguel de patinetes também saíram de cidades da Europa e dos Estados Unidos, diz Rachel Binder, da consultoria de negócios CB Insights, baseada em Nova York.
“O lado operacional se provou um desafio para essas empresas. Elas ainda estão registrando prejuízo ao redor do mundo e perdendo milhões de dólares por ano. Agora, estão mais focadas em sua lucratividade do que em crescimento e se mantendo apenas nas cidades mais rentáveis”, afirma Binder.
Falta de planejamento e pró-atividade do poder público
Esse tipo de serviço faz parte de uma tendência mundial conhecida como micromobilidade, baseada em veículos pequenos e leves, vinculados a novas tecnologias, que não usam combustíveis fósseis e são usados para percorrer pequenas distâncias.
Por isso, os sistemas de aluguel de patinetes são úteis e promissores para as cidades, diz o consultor de mobilidade urbana Thiago Benicchio. Mas, para serem de fato uma boa alternativa ao carro ou ônibus, deveriam ter sido melhor planejados antes de serem lançados, opina ele.
“O imposto de importação não apareceu agora. A depredação e o desgaste dos patinetes também não são imprevistos, porque há a experiência de outros mercados. Da forma como foi feita, parece que foi uma aposta às cegas e se gastou dinheiro para testar uma coisa”, diz Benicchio.
Reestruturação do serviço no Brasil está ocorrendo também em outros países, diz analista
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Também é preciso incluir a micromobilidade em uma política pública mais ampla, o que não aconteceu com os patinetes no Brasil. Eles primeiro chegaram às ruas para somente depois as prefeituras elaboraram regras de oferta e uso.
Benicchio afirma que faltou proatividade do poder público para estabelecer previamente para quem e onde os patinetes poderiam ser mais úteis e como eles se integrariam a outros meios de transporte, antes de colocar milhares nas ruas de uma vez só.
“Uma operação experimental precisa ser feita em uma proporção mais adequada. Seria muito mais interessante ter ocorrido como em Londres ou Nova York, onde o poder público se adiantou e barrou a entrada das empresas até conseguir elaborar como tudo ia funcionar”, afirma o consultor.
“Se não há um debate antes, fica a impressão de que é um produto que, em vez de gerar um benefício coletivo, serve só para gerar lucro para as empresas, principalmente por meio da coleta de dados dos usuários, porque só a tarifa não cobre os custos da operação.”
Neste sentido, Guth dá como exemplo um estudo da própria Yellow, que apontou que 58% dos usuários trocaram viagens a pé pelo patinete.
“Não é estratégico, do ponto de vista do interesse público, que cidades invistam em sistemas assim. Não queremos que as pessoas caminhem menos, queremos criar condições para que caminhem mais”, afirma o pesquisador.
“Os patinetes sempre foram um modismo e, como tal, a tendência é que seja passageiro”, opina.
‘Os patinetes vieram para ficar’, diz pesquisador
Mas ainda é cedo para decretar o fim dos patinetes. A Grow continua a atuar no país, e outra empresa, a Scoo, segue oferecendo o serviço em São Paulo, em menor escala e a um preço menor — paga-se R$ 4,40 pelos primeiros 15 minutos e R$ 0,45 por minuto a partir daí.
A Uber também se prepara para lançar o serviço na capital paulista, depois de estrear em dezembro em Santos, onde o desbloqueio custa R$ 1,50 e o minuto de uso, R$ 0,75.
“As empresas também estão buscando criar e fabricar seus próprios modelos para que os patinetes sejam mais duráveis e seguros e tenham maior autonomia, para reduzir seus custos”, diz Rachel Binder.
Outra opção que vem sendo cogitada, afirma a analista, é passar a usar estações, onde os patinetes ficariam estacionados à espera do cliente. “Embora seja menos conveniente para o usuário, essa infraestrutura é menos caótica e pode ajudar a resolver alguns problemas causados pela falta de estações”, diz Binder.
Uber lançou serviço de patinetes em Santos e se prepara para chegar a São Paulo
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Os próprios sistemas de compartilhamento de bicicletas passaram por um processo semelhante, diz Victor Andrade, diretor do Laboratório de Mobilidade Sustentável da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Eles foram se transformando ao longo de algumas décadas, desde os primeiros testes na Holanda, nos anos 1960, até virarem uma realidade ao redor do mundo.
“Os patinetes são uma alternativa importante de transporte nas cidades modernas. Mas são muito recentes, e tudo está mudando muito rápido. Ainda estamos no olho do furacão. Não dá para falar que deu errado ou que foi uma bolha.”
Após uma forte expansão das empresas de aluguel de patinetes, afirma Andrade, elas agora estão fazendo ajustes nos seus modelos de negócios.
“Acredito que é um momento de reflexão e de reposicionamento e que, depois, as empresas vão voltar a crescer e se consolidar, de forma mais sustentável. O patinete veio para ficar.”

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Como pedir demissão quando a empresa é da família


Trabalhar no negócio da família pode ser difícil — sair dele, mais ainda. Trabalhar no negócio da família pode ser difícil — sair dele, mais ainda
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Jordan Baker começou a trabalhar na empresa de tecnologia para logística 21st Century Transport aos 12 anos, varrendo o chão e atendendo telefonemas.
Ele sempre quis fazer parte do negócio da família — e seu destino era assumir as operações quando o pai, Tony, se aposentasse.
Em 2008, contudo, ele decidiu deixar a companhia, aos 20 anos.
“É difícil quando seu pai não é apenas seu pai, mas também seu chefe”, diz.
“Eventuais decepções que ele tenha com você no âmbito pessoal podem ter repercussões no campo profissional e vice-versa. Pode virar uma dinâmica bem desconfortável.”
Família pode ser algo complicado — trabalhar com os parentes então, mais ainda.
Não é difícil encontrar trajetórias bem-sucedidas de empresas familiares, com transições suaves entre as gerações e expansões que mantêm preservados os ideais dos fundadores. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Hoshi Ryokan, tradicional hotel japonês que está sob o comando da mesma família há 46 gerações.
A gigante do varejo Walmart pode ter seus problemas, mas metade do negócio ainda pertence aos descendentes do fundador, Sam Walton, e os atritos entre os parentes, se existem, raramente ganham as manchetes.
Há, entretanto, uma grande variedade de exemplos no sentido oposto, envolvendo inclusive grandes empresas — do racha que deu origem a duas das maiores marcas de moda esportivas, Puma e Adidas, aos problemas de sucessão envolvendo a Samsung e à batalha legal que colocou a bilionária australiana da mineração Gina Rinehart contra seus familiares.
Um briga entre irmãos deu origem a Adidas e Puma
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A decisão do príncipe Harry e de sua mulher, Meghan Markle, de se afastarem das obrigações da família real britânica, ainda que tenha suas particularidades, também significa, de certa forma, deixar o “negócio da família” para tentar seguir seu próprio caminho.
Histórias como essas não são difíceis de encontrar, já que as empresas familiares respondem por cerca de dois terços do total de companhias em atividade no mundo.
O que motiva as pessoas a tomarem decisões como essas, e qual a melhor maneira de se desligar?
‘Tensões e rivalidade’
Trabalhar com alguém que se conhece bem pode ser uma vantagem, pondera Jennifer Pendergast, professora de inovação e empreendedorismo da Universidade Northwestern, em Chicago. Mas também abre uma janela para situações únicas de estresse.
“Em uma discussão, parte dos familiares na sala pode decidir tomar partido”, ela exemplifica. “Imagine ir para casa e dar de cara com seu chefe na mesa de jantar.”
A convivência com parentes no ambiente de trabalho pode significar, ao mesmo tempo, níveis muito mais altos de confiança e compromisso, como destacou a consultoria PricewaterhouseCoopers em 2014 em uma pesquisa sobre negócios familiares.
Só que também tem potencial para “desencadear tensões, ressentimentos e ser um incentivo a conflitos, à medida que os envolvidos tentam separar ‘cabeça’ e ‘coração’ e manter o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional”.
Em uma pesquisa recente, a consultoria KPMG verificou que, na Austrália, onde 70% dos negócios são familiares, as fontes mais recorrentes de conflitos são a maneira dos gestores de se comunicarem, visão de futuro e estratégia, e o equilíbrio entre as necessidades da família e as da empresa.
A percepção das dificuldades variava de acordo com as gerações: 21,8% dos futuros líderes afirmaram que o estilo de comunicação era a principal razão dos atritos, contra 13,3% entre os líderes naquele momento.
Conflitos intergeracionais também podem ser um problema dentro das empresas familiares
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Conflitos intergeracionais podem ter ainda outros impactos, como a perpetuação de estereótipos familiares. “É difícil esquecer quem você era quando criança e é difícil superar erros que as pessoas não esquecerão… irmãos serão sempre comparados uns aos outros”, afirma Pendergast.
Jeremy Waud trabalhou por 20 anos na empresa fundada pelo bisavô Frederick Goodliffe, o grupo OCS, antes de fundar uma empresa rival.
“Estava farto. Eu era o diretor-geral da divisão de gerenciamento de instalações quando foi anunciado que a área passaria por uma reestruturação. Não parecia que o campo do qual eu era responsável se enquadrava na visão de futuro da companhia, então decidi que era hora de ir embora”, ele diz.
O grande número de parentes envolvidos no negócio fazia com que sempre houvesse algum tipo de tensão, mesmo nos períodos de aparente calmaria.
“Em determinado momento, havia 15 pessoas da família trabalhando na empresa. Tios, primos, irmãos… Sempre há algum tipo rivalidade entre diferentes grupos, além das questões políticas envolvendo a participação acionária de cada um na companhia e o exercício do poder”, acrescenta Waud, que hoje tem 58 anos.
Quando ele pediu demissão, no ano 2000, para criar a empresa de gerenciamento de instalações Incentive FM, parentes insatisfeitos, preocupados com a possibilidade de ele levar clientes da antiga companhia, o levaram à Justiça.
“Familiares podem levar para o lado pessoal o fato de alguém deixar a empresa, podem interpretar a saída como um julgamento de valor em relação ao negócio da família”, afirma Pendergast.
Apesar da experiência prévia, a evolução da Waud nesse novo ciclo foi lenta, já que ele teve que partir do zero.
“Pensei que começar de novo seria fácil, mas então percebi que os credores não estão tão dispostos a emprestar às empresas que praticamente não têm patrimônio. Tomamos um empréstimo pequeno do banco e demos início ao negócio em 2002.”
O valor da transparência
Mauro Bruni precisou de anos para conseguir se desligar da empresa da família.
O plano sempre tinha sido que ele assumiria a Bruni & Campisi, que faz instalação e manutenção de sistemas de aquecimento e presta serviços de encanamento em Bedford, Nova York.
Ele trabalhou na área de marketing e design gráfico da companhia por 12 anos — mas tinha outra paixão, a patinação no gelo. Por muitos anos conciliou as duas atividades, chegando a trabalhar remotamente quando se apresentava em outros países com o espetáculo Holiday on Ice.
Bruni cortou o cordão umbilical em 2019, depois de abrir uma empresa de eventos e patinação no gelo, a House of Mauro.
“Meu pai sempre soube que minha paixão era a patinação. Ele me deu apoio quando pedi demissão e me ajudou a montar minha empresa”, diz o empresário de 35 anos.
Felizmente, o irmão aceitou assumir as funções deixadas pelo jovem na empresa da família. “Ele já vinha ganhando novas responsabilidades nos últimos anos, a ponto de já estar preparado inclusive para assumir o lugar do nosso pai”, afirma Bruni.
‘Poucas pessoas pensam na parte legal quando todo mundo está feliz. E então as coisas dão errado e não existe documento legal que prove o que foi acordado anteriormente’, diz especialista
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Muitas famílias, entretanto, não têm um planejamento sucessório e ficam perdidas com a saída repentina de um dos membros da família, pondera Kate Cooper, chefe de pesquisa do Institute of Leadership & Management, organização sem fins lucrativos que oferece treinamento na área de liderança.
“As empresas precisam estar com o gerenciamento de risco em dia, precisam se planejar para o inesperado”, ressalta.
Questões legais podem ser outro problema dentro das empresas familiares. Karen Holden, presidente do escritório de advocacia A City, com sede em Londres, afirma que formalidades imprescindíveis podem ficar em segundo plano nessas companhias porque parte das relações se baseia na confiança.
“Poucas pessoas pensam na parte legal quando todo mundo está feliz; muita coisa é na base do aperto de mão. E então as coisas dão errado e não existe qualquer documento com valor legal que prove o que foi acordado anteriormente.”
Para Jennifer Pendergast, a negociação é o melhor caminho para uma saída sem desgaste.
“O melhor jeito de sair é sendo transparente sobre suas razões — mas isso precisa ser feito de forma cuidadosa e profissional.”
Também é recomendável agradecer pela oportunidade de ser parte do negócio da família, ela acrescenta.
“Em qualquer situação, é bom sair sem fechar portas. Em uma empresa familiar isso é ainda mais importante, porque você provavelmente vai conviver com aquelas pessoas pelo resto da vida.”
Idas e vindas
A maioria das decisões, apesar de difícil, não é irrevogável.
Um exemplo recente nesse sentido deu-se entre os Murdoch, uma das famílias mais ricas do mundo. O filho de Rupert Murdoch, Lachlan, deixou o negócio da família em 2006. Mas o que era para ser definitivo não durou mais que uma década. Em 2014, ele voltou para o conglomerado de mídia.
Jeremy Waud, entretanto, diz não se arrepender da decisão. “O sacrifício valeu a pena e os ressentimentos ficaram para trás”, diz.
Já Jordan Baker diz que o pai ficou inicialmente decepcionado com a notícia de que ele deixaria a empresa, mas eventualmente superou o episódio e passou a apoiar sua decisão.
Ele hoje tem a própria agência de marketing em Londres e valoriza a independência conquistada nos últimos anos.

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Macron diz a agricultores que irá brigar pela manutenção de subsídios na UE


Produtores rurais franceses são os que mais recebem apoio financeiro da União Europeia para a atividade. O presidente francês, Emmanuel Macron
Aris Oikonomou / AFP
O presidente francês Emmanuel Macron disse aos agricultores de seu país neste sábado (22) que a França continuará a se opor aos cortes nos subsídios agrícolas, um dia depois que as discussões sobre o orçamento da União Europeia terminaram em um impasse.
Macron ainda prometeu uma compensação aos produtores de vinho atingidos pelas tarifas dos EUA.
Os líderes da União Européia falharam na sexta-feira na tentativa de acordo de orçamento para os próximos sete anos, pois o déficit de financiamento criado pela saída do Reino Unido aumentou o debate sobre as prioridades de gastos.
Macron quer que a Europa mantenha um grande orçamento para sua Política Agrícola Comum (PAC), da qual a França é o principal beneficiário.
“Na PAC defendemos um orçamento ambicioso. A PAC não pode ser a variável de ajuste do Brexit. Precisamos apoiar nossos agricultores”, disse Macron na feira agrícola de Paris. “Não cedemos a quem quisesse reduzir o orçamento (PAC).”
Subsídios para a produção rural na União Europeia atingiu cifras bilionárias em 2017
Diana Yukari/G1
Na reunião de representantes da indústria do vinho, o presidente se comprometeu a obter uma compensação para as tarifas norte-americanas no lugar até a primavera, contou, Jerome Despey, um produtor de vinho e secretário-geral do principal sindicato agricultor da França, a FNSEA.
Macron já havia apoiado a redução tarifária para os produtores de vinho e disse que levantou a questão com a Comissão Europeia.
O setor teme que possa perder de 300 a 400 milhões de euros em vendas anuais em seu principal mercado de exportação se a tarifa de 25% imposta por Washington em outubro permanecer em vigor, disse Despey.
O vinho francês está entre os produtos da UE que estão sujeitos às tarifas dos EUA como parte de uma disputa de subsídios a aeronaves. Exportadores de vinho franceses estimam que os impostos levaram a uma queda de 40 milhões de euros nas vendas para os Estados Unidos no último trimestre.

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Apesar de congestionamento em portos, frigoríficos brasileiros relatam entregas de carne para a China dentro do normal


Navios que transportavam contêineres refrigerados de frango dos EUA foram desviados para outros países, mas empresas brasileiras afirmam que isso não afetou as entregas. Movimentação de cargas no porto de Xangai, na China
Aly Song/Reuters
Mesmo com o congestionamento causado nos portos da China por causa do surto do novo coronavírus no país, os frigoríficos brasileiros afirmaram que as entregas de carnes não estão sendo comprometidas.
EUA reabrem mercado para a carne bovina in natura do Brasil
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) disse não ter recebido informações de seus membros de que os embarques de carne bovina estavam sendo redirecionados para portos em outros países como resultado do congestionamento nos centros de logística chineses.
Já Associação Brasileira de Proteína Animal confirmou atrasos relacionados à liberação de produtos refrigerados nos portos chineses em meio à nova epidemia de coronavírus. Ainda citando informações de suas empresas-membros e do governo brasileiro, a ABPA disse nesta semana “houve uma melhora no fluxo de carga” que chega pelos portos chineses.
A China está lutando para retomar as operações comerciais normais, uma vez que as consequências do coronavírus atingem as linhas de transporte de contêineres e as cadeias logísticas, com a maior linha de contêineres do mundo, a Maersk alertando na quinta-feira que o surto de coronavírus afetaria os ganhos.
Navios que transportavam contêineres refrigerados de frango dos Estados Unidos para a China estavam sendo desviados para portos de outros países, já que os portos chineses ficaram sem espaço para esse tipo de contêineres, que precisam ser conectados a eletricidade depois de descarregados para manter carne congelada e outros alimentos.
A Abiec saudou o anúncio do Ministério dos Transportes da China, em 15 de fevereiro, de que renunciaria às tarifas de pedágio nas rodovias e vias expressas nacionalmente a partir de 17 de fevereiro até que o trabalho de controle de epidemias do país fosse concluído, dizendo que ajudaria a restaurar os fluxos comerciais.
BRF diz que não teve problemas
A BRF não parou de enviar produtos de carne para a China, mesmo em meio ao congestionamentos em alguns dos portos do país causados pelo surto de coronavírus, informou a empresa na sexta-feira (21), respondendo a consulta da Reuters.
A empresa afirmou, em comunicado, que está monitorando as consequências do surto e o fluxo de mercadorias enviadas para a China diariamente, observando que os movimentos de carga nos portos chineses estão sendo gradualmente restaurados.
A BRF afirmou ainda que não teve custos adicionais de remessa para continuar enviando mercadorias para a China, abordando especificamente uma pergunta da Reuters relacionada a uma “taxa de congestionamento” de 1000 dólares por contêiner de carga refrigerada que as companhias de navegação exigiam dos exportadores que desejassem enviar produtos refrigerados imediatamente para a Ásia.
“Os volumes produzidos pela empresa destinados à China estão sendo embarcados normalmente”, disse a BRF, acrescentando que não enfrenta problemas de armazenamento no Brasil relacionados a problemas portuários chineses.
A BRF acrescentou que “entende que a carga embarcada neste momento chegará à China com uma situação logística mais controlada”.

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