Conteúdo local é 'retrocesso' que atrasa desenvolvimento da indústria petroleira, diz presidente da Petrobras

Conteúdo local é 'retrocesso' que atrasa desenvolvimento da indústria petroleira, diz presidente da Petrobras

Conteúdo local é 'retrocesso' que atrasa desenvolvimento da indústria petroleira, diz presidente da Petrobras


Roberto Castello Branco fez diversas críticas à regra que exige percentual mínimo de produtos e serviços brasileiros na exploração de petróleo no país. Para ele, economia brasileira é uma das mais fechadas do mundo. Roberto Castello Branco, Petrobras, em imagem de arquivo
Mauro Pimentel/AFP
O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou nesta sexta-feira (8) que as regras de conteúdo local atrasam o desenvolvimento da indústria petroleira no Brasil. Segundo ele, além de provocar atrasos na execução de projetos, ela afasta o interesse de investidores.
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Em evento sobre reavaliação do Risco Brasil, promovido pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio, o executivo afirmou que o país tem “uma das economias mais fechadas do mundo”.
“O que nós temos de errado é que é fundamental para atração de investimentos a criação de um ambiente que seja amigável ao investidor. Esse é o sucesso dos EUA e de outros países na atração de investimentos, tanto de dentro quanto de fora”, disse Castello Branco.
Nos dois leilões de áreas de extração de petróleo realizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) esta semana, a participação dos estrangeiros foi praticamente nula. Apenas duas empresas chinesas participaram – e como minoritários nas ofertas apresentadas pela Petrobras.
Conteúdo local
Segundo Castello Branco, no caso da indústria de óleo e gás, um dos maiores entraves é o conteúdo local, que promoveu uma “história desastrosa, perda de produtividade e corrupção”.
“Graças ao conteúdo local, a plataforma que menos atrasou levou 31 meses para ficar pronta. Isso atrasou a produção de petróleo no Brasil, a arrecadação de impostos pelo governo e contribuiu para o crescimento da dívida pública”, enfatizou.
A regra de conteúdo local estabelece percentuais mínimos obrigatórios de equipamentos e serviços brasileiros para as empresas que vencem leilões para explorar campos de petróleo e gás no Brasil. Castello Branco afirmou que ela “trouxe enorme prejuízo, não somente para a Petrobras, mas para todo o país”.
“Quando a Petrobras descobriu a Bacia de Campos, não existia conteúdo local. Vieram empresas estrangeiras para cá, investiram, produzem aqui e o Brasil já é exportador de vários equipamentos. Nos tornamos competitivos sem que tivesse conteúdo local”, disse.
Castello Branco exemplificou o entrave ao citar que, pelo casco de uma plataforma, um estaleiro brasileiro cobra cerca de R$ 600 milhões, enquanto na China ele seria produzido por R$ 180 milhões. Ele classificou como “criaturas do pântano” os que criticam o livre mercado.
“A nossa indústria encolheu porque foi viciada a viver com artificialismo – juros subsidiados do BNDES, barreiras à exportação, em favor de um grupo de capitalistas contrários ao capitalismo”, disse.
Em sua apresentação, o presidente da Petrobras disse que o conteúdo local provocou prejuízo de R$ 7 bilhões ao país. O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Décio Oddone, que também defende mudança na regra, apontou outra cifra: “Eu fiz uma conta uma vez de R$ 70 bilhões o custo de termos atrasado investimentos por conta de conteúdo local”.

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