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Produtores rurais da Bahia recuperam 500 km de estradas na região oeste do estado


Intervenções são executadas pelo programa Patrulha Mecanizada, coordenado pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa). Produtores rurais da Bahia recuperam 500 km de estradas na região oeste do estado
Divulgação/Abapa
Os agricultores baianos recuperaram 500 quilômetros de estradas no oeste da Bahia, em 2019, conforme informou a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa).
Com foco voltado para estradas vicinais, a pavimentação asfáltica ocorreu em um trecho de 40 km da rodovia Rio Grande e de 33 km da Estrada da Soja, ambas em São Desidério, na região agrícola do oeste baiano.
As intervenções são executadas pelo programa Patrulha Mecanizada, coordenado pela Abapa.
De acordo com a Abapa, os benefícios não são apenas para o desenvolvimento do setor agrícola, mas para para quem mora na zona rural e precisa circular pelas estradas, seja no período da seca ou da chuva.
Em 2019, também foi iniciada a recuperação de 31 km da Estrada da Timbaúba, em Luís Eduardo Magalhães, também no oeste da Bahia, que já é preparada para ganhar a pavimentação no primeiro semestre de 2020.
Dentre os 500 quilômetros de estradas recuperadas em 2019, ainda entram na lista: 120 km da estrada entre Baianópolis e São Desidério; 45 km da Linha Paraíso, em São Desidério; 38 km na estrada que liga a BA 463 à Linha dos Pivôs; 35km da estrada Rio de Pedras, em Barreiras; e 64 km da Estrada João Barata, em Barreiras.
Criado e executado desde 2013, o Patrulha Mecanizada já recuperou cerca de 2,5 mil quilômetros de estradas, além de proteger os recursos hídricos, com a criação de sete mil bacias de captação de água, 300 terraços e desvios laterais, evitando a erosão e o soterramento de nascentes, córregos e rios da região.
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150 ativistas do clima são detidos durante protesto em Salão do Automóvel de Bruxelas


O grupo pacifista, Extinction Rebellion, que faz ações para alertar sobre o aquecimento global, convocou seus seguidores pela internet. Cerca de 150 pessoas foram detidas após uma ação em que os ativistas se deitaram no chão para bloquear a passagem no salão do automóvel
François Walschaerts / AFP
O grupo ativista climático Extinction Rebellion (XR) organizou uma série de ações para denunciar a poluição e o aquecimento global durante o Salão do Automóvel em Bruxelas neste sábado (18).
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Cerca de 150 pessoas foram detidas após uma ação em que os ativistas se deitaram no chão para bloquear a passagem no salão, informou a polícia belga.
O grupo pacifista, que faz ações para alertar sobre o aquecimento global, convocou seus seguidores pela internet a participarem de uma atividade neste sábado no que chamou de “Salão das Mentiras”.
O objetivo era bloquear a exposição de lançamentos automobilísticos e de difundir mensagens sobre o papel da indústria do automóvel no colapso climático, informou o grupo em um comunicado publicado nas redes sociais.
150 manifestantes são detidos na Bélgica
François Walscherts/ AFP
Na entrada principal do salão, o grupo instalou um cartaz pedindo o fim das ” emissões de CO2″. De acordo com as instruções do movimento, os ativistas dispersaram as ações realizadas por pequenos grupos em vários pontos diferentes da feira. Alguns ativistas acorrentaram-se ao volante de carros em exposição, outros veículos foram etiquetados ou pulverizados com cor de sangue.
No estande da gigante petrolífera Shell, um ativista com o torso nu pintado com tinta cor de sangue expunha sobre o corpo a inscrição “Shell mata”, enquanto outros ativistas mascarados distribuíam panfletos aos visitantes.
“Nós o chamamos de ‘Salão das Mentiras’ porque não acreditamos mais na indústria automotiva para fornecer soluções para esta crise ecológica e climática. Ela já mentiu no passado, continua a mentir e continuará mentindo para nós”, disse uma das porta-vozes da XR identificada como Sarah.
Apesar do sucesso das ações, a polícia conseguiu deter alguns dos organizadores do protesto antes mesmo de entrarem ao salão. Segundo os policiais no local, os manifestantes detidos seriam identificados e depois liberados.
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Cachaça brasileira ganha espaço e é produto de empreendedorismo na França


Em 2019, 44% das exportações da bebida foram destinadas à União Europeia. Apesar de ser o terceiro destilado mais consumido no mundo, apenas 1% da produção, o equivalente a 8,4 milhões de litros, é destinada à exportação. No Brasil, se chama pinga, brejeira e até assovio de cobra. Já na França, é simplesmente conhecida como “cachaçá”. Esse destilado tipicamente brasileiro está virando figurinha carimbada dos bares franceses, e alguns empreendedores têm notado seu potencial de venda. Em 2019, 44% das exportações da bebida foram destinadas à União Europeia.
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Mas será que a cachaça pode destronar outras aguardentes mais antigas na França, como o rum e o uísque? Ainda não, respondeu a professora de enologia no Instituto Clorivière em Paris, Sylvie Casanovas. Por outro lado, o mercado da cachaça está em expansão no território francês pelo potencial que a bebida tem para ser misturada com outros produtos.
Segundo Casanovas, as importações de cachaça aumentaram nos últimos dez anos, impulsionadas pelo retorno de um fenômeno à Europa: a arte de fazer coquetéis, de misturar vários produtos diferentes. “A cachaça pode ser usada para fazer esses drinks; a prova é que os brasileiros são famosos por fazer o coquetel local, a caipirinha”, destaca a enóloga.
Outro argumento forte de venda para o destilado é a fama positiva do Brasil na França. De acordo com a empreendedora Sylvie Delauche, a identidade brasileira, mesmo se baseada nos estereótipos de samba e carnaval, é admirada em toda a Europa, gerando a curiosidade de conhecer seus produtos culturais.
“O fato é que, com todas as copas do mundo de futebol, o Brasil sempre foi uma estrela e é verdade que esse tipo de evento também ajuda a vender os produtos desse país astro, a cachaça sendo um deles”, diz.
Em 2019, 44% das exportações da bebida foram destinadas à União Europeia.
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Empreendedorismo na França
Antes conhecida como bebida de botequim, desde 1994, a cachaça é considerada um produto cultural do Brasil. Mas, apesar de ser o terceiro destilado mais consumido no mundo, apenas 1% da produção, o equivalente a 8,4 milhões de litros, é destinada à exportação.
No entanto, a qualidade do produto destinado ao mercado externo não é a mesma, segundo Nicolas Delauche, empreendedor francês que morou no Brasil. Para ele, a cachaça artesanal é mais saborosa do que a industrial, que compõe boa parte das exportações.
“Alguns [franceses] têm um preconceito, um clichê de álcool ruim por causa das cachaças industriais que têm chegado à França, mas a maioria deles quer provar a bebida”, explica.
Em 2018, a França foi o quarto país que mais importou cachaça no mundo, atrás do Paraguai, Alemanha e Estados Unidos. Nicolas Delauche viu então uma oportunidade de ampliar os negócios e desenvolver o mercado. Este ano ele co-fundou uma marca de cachaça sob o slogan “nascida no Brasil e criada na França”, com a intenção de apresentar um produto de qualidade para o paladar francês, que já conhece seu similar, o rum.
“O que queremos fazer em Paris é apresentar a cachaça como uma prima do rum, ou seja, vamos procurar sabores diferentes em um produto que seja bem próximo, mas também bastante diferenciado”, conta Delauche.
Desafios do mercado francês
Segundo Sylvie Casanovas, o maior desafio da cachaça para ganhar o mercado francês é a concorrência com outros destilados similares. A produção de cachaça é exclusivamente brasileira, enquanto o rum, por exemplo, é produzido em diversos países, como Antilhas Francesas, Cuba e ex-colônias inglesas no Caribe (Trinidade, Antígua e Barbados).
“Como o rum é produzido em todo o mundo, há uma chance maior de torná-lo conhecido do que a cachaça. A bebida também é consumida principalmente no Brasil, então, durante muito tempo, os brasileiros não procuraram necessariamente exportar o produto, enquanto o rum, sim”, explica.
Para Casanovas, conquistar os franceses vai exigir servir mais qualidade para compensar o preço que muitos podem considerar amargos de mais.
“No Brasil, você pode encontrar excelentes cachaças de € 5 a 15 euros (R$ 23 a R$ 69). Quando elas chegam à França, obviamente são acrescidas do custo de exportação, transporte, impostos e comissão dos distribuidores. Você pode ter um produto que vai custar o dobro ou até o triplo do valor brasileiro. Comprar uma cachaça, que já não é muito conhecida, a € 35 ou € 40 (R$ 162 ou R$ 185) pode doer no bolso”, explica
Para incentivar o consumo e a cultura da cachaça na França, é preciso um tempo de experimentação, segundo Casanovas. Ela sugere mais bares e festas de temática brasileira que usam bons produtos, mais visitas dos produtores às grandes exposições de bebidas alcoólicas e preços mais baixos.
“Para evitar comprar uma cachaça de € 40, muitos bares compram cachaças a preço de custo, o que obviamente não ajuda os franceses a conhecer as boas cachaças”, diz Casanovas. “Eu acho que existe um trabalho de educação a se fazer sobre o produto, para mostrar que a paleta de cachaças é muito, muito variada.”
Enquanto a cultura latina, e especificamente brasileira, ganha mais popularidade na Europa, Nicolas Delauche acredita que a cachaça, pura ou em coquetel, se tornará ainda mais fiel às do seu país de origem. “A história entre a cachaça e a França é relativamente nova, mas há uma boa chance que 2020 seja o ano da cachaça na França e na Europa”, afirma.
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Por que usar dinheiro vivo é uma forma de gastar menos


Psicologia explica como diferentes formas de pagamentos impactam nossos cérebros. Você costuma fazer compras com dinheiro físico, cartão de crédito ou carteiras eletrônicas?
Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC
Lembro que, quando era menino, guardava meus trocados em uma gaveta especial, as moedas douradas de libras formavam uma pilha precisa. (Embora a pilha nunca ficasse tão grande que prejudicasse a estrutura). Cresci em Hastings, uma pequena cidade costeira em East Sussex (Inglaterra), famosa pela conquista dos normandos (em 1066) e pelo charme litorâneo. Ela tem fama de ser um pouco decadente e está sempre se revitalizando.
Ganhei meu primeiro cartão de débito quando tinha 14 anos. Guardei dinheiro para um ano sabático trabalhando em um bingo, e pus o dinheiro em uma conta poupança. Evitava cartões de crédito. Naquela época (2007), as taxas de rendimento giravam em torno de 5%, e me lembro de ganhar 70 libras (R$ 371) certo ano, o que me fez sentir muito rico.
Corta para 2018 e eu estava morando e trabalhando em Pequim, China, como um jornalista freelancer. Todos os moradores de Pequim em volta de mim pagavam tudo usando apenas seus celulares. Eles caminhavam até o balcão de um restaurante, comércio ou loja de conveniência, e mostravam um QR code para o caixa escanear.
Depois de escaneado, o sistema imediatamente debitava a quantia exata da carteira virtual do comprador. Sem ter de buscar dinheiro na carteira nem esperar por troco. Sem ter de passar um cartão de plástico. A transação levava segundos.
Mas eu era teimoso. Meus amigos, tanto ocidentais quanto chineses, tiravam sarro de mim por ser tão tradicional — por manusear “notas sujas” — vendo o dinheiro amassado como prova de minha revolta contra a tecnologia.
Mas havia algumas razões pelas quais eu continuava usando dinheiro físico e evitava transações virtuais. Primeiro, eu me sentia mais seguro. Não entendia bem como o dinheiro eletrônico funcionaria no meu smartphone e temia que ele pudesse ser facilmente desviado.
Em segundo lugar, temia que, ao migrar para pagamentos eletrônicos e perder a inconveniência de pagar com dinheiro, eu acabaria gastando mais. Tinha medo de que ao perder as qualidades tangíveis e visíveis do papel moeda, e a transação física — de pescar minha carteira, encontrar as notas requeridas, e entregar o dinheiro — eu estaria perdendo o senso de quanto, a cada dia, eu estaria gastando.
Esses temores eram justificados? Conforme mais e mais pessoas ao redor do mundo evitam dinheiro em papel, essas são questões essenciais a se considerar.
Antes de entrarmos no universo complicado da psicologia do consumidor, e no conflito entre a economia clássica e a psicologia que levou ao nascimento da economia comportamental, vamos primeiro avaliar o que exatamente é o dinheiro.
Babilônia revolucionou a forma como usamos o dinheiro
Javier Hirschfeld/Alamy via BBC
Dinheiro é um conceito abstrato — e hoje nós o damos de barato, sem considerar como um pedaço de papel, ou pedaços de metal, têm valor intrínseco. Mas o dinheiro é uma invenção relativamente recente, e representou uma mudança fundamental na sociedade humana, diz Natacha Postel-Vinay, que leciona um curso sobre a história do dinheiro e das finanças na London School of Economics.
“Era algo completamente diferente do escambo”, diz ela. “Você não precisa de uma correspondência exata entre duas pessoas e seus desejos. Se quisesse comprar pão, o vendedor não precisava receber algo específico de você, seu casaco ou o vegetal da sua horta. Você só precisava de um pouco de prata.”
Em termos técnicos, o dinheiro é uma reserva de valor e deve ser um item contábil, o que significa simplesmente que deve ser um item padronizado (como uma moeda).
O primeiro registro do uso de dinheiro vem dos antigos Iraque e Síria, na civilização babilônica, por volta de 3 mil a.C. Nos tempos babilônicos, as pessoas usavam pedaços de prata que eram medidos conforme uma unidade de peso conhecida como shekel. Vêm da Babilônia os registros dos primeiros preços, anotados por sacerdotes do Templo de Marduk, assim como os primeiros contadores e as primeiras dívidas.
Na Babilônia, tínhamos muitas das coisas essenciais para uma economia monetária. Isso incluía o fato de que a prata tinha sua pureza regularmente testada e era uma força estabilizante, como um rei ou um governo, em que as pessoas podiam confiar para garantir o valor do dinheiro. “Em todos os tempos, para que o dinheiro tivesse valor, a confiança foi necessária”, diz Postel-Vinay.
Mas houve muitas mudanças no dinheiro ao longo do caminho. A Babilônia tinha dinheiro, mas ele ainda era volumoso e precisava ser pesado — não era tão avançado quanto moedas. Por volta do ano 1000 a.C., outras civilizações passaram a usar metais preciosos e, na Grécia antiga, no reino de Lídia, as primeiras moedas foram fabricadas.
As primeiras notas de dinheiro foram usadas na China Imperial durante a dinastia Tang (618-907 d.C.) e eram notas de crédito produzidas privadamente ou notas de câmbio, mas a Europa só adotaria a ideia no século 17.
Hoje, o dinheiro não está atrelado a objetos físicos que são eles próprios commodities com valor, como moedas de ouro ou prata, mas usamos uma forma chamada moeda fiduciária, que é uma moeda que um governo estabeleceu como legal.
O conceito de crédito (e débito) existia muito antes da invenção de cartões de crédito. “Não precisa ser físico para ser dinheiro”, explica Postel-Vinay.
O cartão de crédito emitido por bancos foi inventado por John Biggins, do Flatbush National Bank, no Brooklyn, em Nova York, em 1946. Posteriormente, ofereceram-se cartões de crédito a vendedores viajantes, para que os usassem na estrada, nos EUA. No Reino Unido, a Barclays produziu o primeiro cartão de crédito britânico em 29 de junho de 1966.
O primeiro cartão de débito surgiu no Reino Unido em 1987. Chips e senhas foram introduzidos em 2003, e cartões de crédito que funcionam por aproximação foram lançados quatro anos depois.
Na China, enquanto isso, escanear QR codes com o celular, ou gerar QR codes no celular para que sejam escaneados por comerciantes, tornou-se um meio comum para fazer pagamentos. A rápida adoção de pagamentos eletrônicos na China se explica pelo alcance do aplicativo WeChat no país, que inclui serviços de pagamento virtual, mensagens e funções de mídias sociais; pela popularidade de plataformas de comércio virtual, como a Taobao, da Alibaba; e pelo fato de que a China tem baixos índices de uso de cartão de crédito.
A partir de 2015, a adoção de pagamentos eletrônicos em transações do dia a dia se tornou muito mais predominante.
Países que têm os maiores índices de compras sem dinheiro vivo incluem o Canadá, onde é comum que cada pessoa tenha mais de dois cartões de crédito. Na Europa, a Suécia é a sociedade que menos usa dinheiro em papel: apenas 13% dos suecos disseram ter usado dinheiro em compras recentes, segundo uma pesquisa nacional feita no ano passado. Em 2010, o índice era de 40%. Em comparação, cerca de 70% dos americanos ainda usam dinheiro semanalmente, segundo um estudo recente do Pew Research Center.
Emelie Svensson, uma sueca que trabalha como jornalista em Nova York, diz que os dois países são muito diferentes quanto ao uso de dinheiro. “O sistema gira em torno de gorjetas e muitas lojas nem aceitam cartões, ou a compra deve ser de no mínimo 10 dólares”, ela diz, referindo-se à experiência de morar nos EUA. “Mas está melhorando. Há cinco anos, eu pagava meu aluguel com dinheiro vivo!”
A China inventou o papel moeda
Getty Images via BBC
E embora o uso de pagamentos sem dinheiro vivo esteja aumentando no Reino Unido, ele ainda tem um longo caminho a percorrer. Para Moa Carlsson, uma açougueira de 20 anos de Gotemburgo, o país tem uma postura pálida quando comparado à sua Suécia nativa.
“Acho que é um pouco divertido e de certa forma quase estranho usar dinheiro vivo”, ela diz, quando visita o Reino Unido. “A Inglaterra parece mais antiquada. Me sentiria quase estranha ao não usar dinheiro lá. Acho que a libra é uma parte grande da Inglaterra, muito mais do que a coroa para a Suécia.”
Para pessoas que vivem em sociedades que usam cada vez menos dinheiro em espécie, os benefícios de pagamentos eletrônicos são óbvios. “É muito conveniente. Você não tem a sensação de guardar 200 libras no bolso ou (a chateação) de ter de sacar dinheiro. ‘Onde está o caixa eletrônico?’ Está ali no seu bolso”, diz William Vanbergen, um empreendedor britânico que chegou à China em 2003 e demorou a aderir a pagamentos eletrônicos.
Como Carlsson, ele diz que lidar com dinheiro vivo parece antiquado. Quando Vanbergen viaja a trabalho a Hong Kong, onde o dinheiro em espécie ainda é o método de pagamento mais comum, ou à Inglaterra, ele diz se sentir como se voltasse no tempo.
Mas e as desvantagens? Será que pagar sem usar dinheiro físico faz com que as pessoas gastem mais?
Essa é uma questão complicada e pressupõe que humanos sejam criaturas irracionais em vários sentidos. Por exemplo, foi mostrado que as pessoas sentem mais dor quando perdem 100 libras do que sentem alegria ao ganhar a mesma quantia. Em outras palavras, a dor da perda machuca mais, embora as duas quantias sejam idênticas.
Esse tipo de efeito psicológico alimentou grandes mudanças no campo da economia. No passado, na economia clássica, acadêmicos baseavam suas teorias na suposição de que as pessoas se comportavam racionalmente (de modo que a perda ou ganho de uma quantia igual seriam tratados de forma idêntica por um indivíduo). Mas isso se mostrou falso a partir de estudos psicológicos, levando à criação da economia comportamental e sub-ramos como a psicologia do consumidor.
Um dos grandes pesquisadores dessa disciplina relativamente nova é Drazen Prelec. O professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology, nos EUA) fez um estudo sobre um leilão silencioso. O leilão foi feito entre estudantes da prestigiada escola de negócios Sloan e envolvia ingressos para jogos esgotados da NBA, a liga americana de basquete. Os pesquisadores disseram a metade dos participantes que eles só poderiam pagar com dinheiro vivo, enquanto os outros só poderiam pagar com um cartão de crédito.
Os resultados surpreenderam os pesquisadores. Na média, descobriu-se que os que usavam cartão de crédito faziam duas vezes mais lances que os usuários de dinheiro vivo. Isso significa, segundo Prelec, que o custo psicológico de gastar um dólar no cartão de crédito é de apenas 50 centavos.
Comprar com cartão de crédito tem claramente impactos na forma como as pessoas gastam, conforme atestado por muitos estudos. Porém, também revelou-se que as contas de cartão de crédito, quando chegam, causam imensa dor ao receituário. Tanto é assim que economistas comportamentais acreditam que isso explica a manutenção da popularidade dos cartões de débito.
Mas e quanto ao uso de carteiras eletrônicas (e-wallets)? O que importa aqui é o retorno, diz Emir Efendic, pós-doutor em Psicologia e Economia Comportamental na Universidade de Louvain, na Bélgica. “Com cartões de crédito, você não recebe atualizações instantâneas (sobre as compras). Mas com bancos online, você vê a quantia sendo debitada imediatamente”, diz Efendic.
“Se você perde os retornos, então sim, você gastará mais”.
Cartão de crédito inovou ao separar o prazer da compra da dor de gastar
Javier Hirschfeld/Getty Images/Alamy
Com cartões de crédito, a dor do gasto é atrasada (até que chegue a conta mensal). A grande habilidade dos cartões de crédito, em outras palavras, é que eles têm o poder psicológico de separar o prazer da compra da dor do pagamento.
Mas, com carteiras eletrônicas, usuários veem o dinheiro debitado imediatamente. Emily Belton, trabalhadora expatriada britânica que usa o WeChat em Pequim, diz que gosta de receber uma notificação a cada vez que faz um pagamento pelo app, e que seu saldo é atualizado em tempo real. Isso é uma comunicação instantânea e não implica o mesmo efeito que um cartão de crédito.
Prelec, porém, descobriu que caminhos neurais são acionados pelo que ele chama de “momento vacilante”, quase como uma breve dor física, quando nos separamos de nosso dinheiro. Embora não haja pesquisa semelhante sobre o uso de e-wallets, pode-se presumir que o momento vacilante não ocorra quando pagamos com um smartphone. Mas isso precisa ser mais pesquisado.
A dor de se separar do nosso dinheiro impede que gastemos além da conta, mas o aspecto negativo é que ela também rouba parte da alegria de consumir. O custo psicológico, que Prelec chama de “imposto moral”, pode ser reduzido de várias formas. Instrumentos como o empacotamento (a inclusão de itens gratuitos na compra de um produto) pode reduzir parte do “imposto moral”. O pagamento antecipado é outro método, mesmo quando não há vantagem financeira — por exemplo, as pessoas têm mostrado preferir pagar as férias em parcelas (ainda que estejam perdendo parte da liquidez em dinheiro vivo).
E, quando estão no exterior, as pessoas também acham mais fácil gastar com moeda estrangeira, tratando-a com muito menos seriedade do que o “dinheiro real” de seu país natal. Empresas como o Club Med se valem dessa psicologia ao definir que seus hóspedes comprem fichas de plástico em vez de usar dinheiro.
No meu caso, acabei adotando o uso de pagamentos virtuais em Pequim. Achei o sistema impressionante por sua qualidade e conveniência. É como viver num mundo onde você tem todos os benefícios de gastar sem a dor de pagar.
Talvez isso seja melhor para as economias, que podem se beneficiar se as pessoas gastarem seu dinheiro mais livremente, e muitos governos no mundo estão tentando estimular isso. Há um velho ditado inglês que diz: “O dinheiro, como o estrume, não faz nenhum bem até que seja espalhado”. Mas, às vezes, esse tipo de gasto livre, sem qualquer fricção, leva a um tipo de desconforto.
Talvez esse seja o “imposto moral” a que Drazen Prelec se refere, o que é uma tendência psicológica de sentir o custo de oportunidade como dor real. Em outras palavras, posso estar sentindo esse desconforto por imaginar que poderia gastar aquele dinheiro com outras coisas.
Conforme mais sociedades migram do dinheiro em espécie para as transações virtuais, a forma como gastamos pode mudar. Mas o dinheiro continuará sendo uma força governante nas vidas humanas.
Pessoas tendem a gastar mais quando estão no exterior
Credit Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC
Weird West
Este artigo é parte da nossa série Weird West. Em 2010, uma equipe na Universidade de British Columbia (Canadá) indicou que a pesquisa psicológica contém uma grande falha: boa parte dela se baseia em exemplos de sociedades ocidentais, escolarizadas, industrializadas, ricas e democráticas (as iniciais das palavras em inglês formam o acrônimo “Weird”, que batiza a série e significa “estranho” em inglês). Os pesquisadores costumavam supor que seus achados se aplicariam a pessoas de qualquer lugar. Mas, quando analisou o tema, a equipe descobriu que membros das sociedades “Weird” eram, na verdade, as populações menos representativas que alguém poderia usar para fazer generalizações sobre humanos.
Da grande imprensa à academia, porém, continua normal ver as sociedades “Weird” como normais, ou ao menos como o padrão pelo qual outras culturas e povos são julgados. Nesta série, mergulhamos nos efeitos disso na vida cotidiana. Que hábitos e formas de pensar são comuns em sociedades Weird que as pessoas de outras partes do mundo podem achar estranhas?
E o que isso nos diz não só sobre diferenças culturais, mas sobre nós mesmos? Da hora em que tomamos banho à forma como compramos, esta série reexamina os comportamentos que muitas vezes damos de barato — e explora como o “padrão” é raramente o melhor ou único caminho.

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Como um robô me ajudou a superar a dor da morte de um amigo por câncer


Há muitos aplicativos de saúde mental no mercado, mas o quanto eles ajudam de fato? Alexa Jett achou aplicativo de terapia útil: ‘Me tirou daquele lugar sombrio’
Alexa Jett/ BBC
Alexa Jett, de 28 anos, passou por maus bocados ​​nos últimos anos.
Ela foi diagnosticada com câncer de tireoide em 2016. E, embora seu tratamento tenha sido bem-sucedido, em agosto de 2019 ela se viu mergulhada em outra crise quando seu melhor amigo e ex-namorado morreu de câncer aos 33 anos.
“Me fechei completamente. E comecei a me perguntar se seria a próxima”, relembra.
Ela não conseguia sair da cama, e as tarefas domésticas foram se acumulando, deixando a casa uma bagunça.
Desesperada, procurou ajuda na internet e em um chatbot (software que tenta simular um ser humano em bate-papo por meio de inteligência artificial) de saúde mental, chamado Vivibot.
“Ei, por que não traçamos uma meta?”, escreveu o chatbot para ela em 10 de setembro.
Psicóloga Noël Hunter diz que aplicativos de saúde mental não podem substituir médicos humanos
Noël Hunter/ BBC
Para começar, ela só precisava pintar as unhas dos pés. Mas essa tarefa simples, combinada com a “personalidade divertida e amigável” do chatbot — além de sua presença 24 horas por dia, 7 dias por semana — incentivou Jett a realizar sucessivamente mais tarefas.
“Me tirou daquele lugar sombrio, e eu voltei a ‘funcionar’ novamente”, diz Jett.
O Vivibot é oferecido pelo GRYT, um aplicativo voltado para pessoas com câncer.
Há dezenas de serviços semelhantes, que batem papo com os usuários sobre questões de saúde mental, disponíveis no mercado. Eles oferecem relatórios de humor e dicas sobre como melhorar seu estado mental e emocional.
“Esses chatbots são um ótimo primeiro passo para pessoas que podem estar tristes, deprimidas ou ansiosas recuperarem sua saúde mental”, diz Danielle Ramo, diretora de pesquisa da Hopelab, que desenvolveu o Vivibot.
Ela adverte, no entanto, que os chatbots não podem tratar quadros clínicos de depressão ou ansiedade — e que não foram criados para substituir nenhum tipo de interação humana.
Mas a psicóloga clínica Noël Hunter diz que alguns chatbots não são comercializados dessa maneira e, em vez disso, se apresentam como uma solução para problemas de saúde mental.
“Eles são muito cuidadosos em não dizer isso explicitamente, porque seriam processados. Mas as pessoas recebem essa mensagem”, afirma.
Para Hunter, os chatbots reforçam a ideia de que somos culpados por nosso próprio sofrimento.
“Eles fazem você acreditar que, se você consultar o telefone e fazer algumas tarefas de autoajuda, isso vai substituir a natureza curativa de um relacionamento saudável”, diz ela.
Além disso, os robôs não conseguem entender a comunicação não verbal, que pode indicar muito sobre a maneira como nos sentimos.
“Uma grande parte dessa comunicação não verbal, imperativa para o nosso bem-estar geral e para nosso sentimento de preenchimento, é perdida em contextos em que não há interação humana”, acrescenta Hunter.
No entanto, há um interesse cada vez maior ao redor do mundo em usar a tecnologia em prol da saúde mental.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que uma em cada quatro pessoas sofra com algum tipo de problema de saúde mental — e pesquisas sugerem que os indivíduos são mais honestos com robôs do que com seres humanos.
Até gigantes das redes sociais, como o Facebook, estão entrando no campo da saúde mental digital.
Em outubro de 2019, o Facebook lançou um pacote de figurinhas para o Messenger e filtros para o Stories, como parte da campanha Let’s Talk (“Vamos conversar”), que tinham o intuito de estimular conversas sobre o assunto pelo aplicativo.
“Descobrimos que as mensagens privadas podem tornar mais fácil conversar sobre assuntos sérios ou sentimentais. De fato, 80% das pessoas que usam aplicativos de mensagens sentem que podem ser completamente honestas quando enviam mensagens privadas”, diz Antigone Davis, chefe de segurança global do Facebook.
Olhando para o futuro, pode chegar um momento em que a inteligência artificial possa estar avançada o suficiente para ter uma compreensão profunda da saúde mental humana.
“Podemos ter uma inteligência artificial no nível humano em 2029”, diz Peter Diamandis, médico, engenheiro e autor do livro The Future is Faster Than You Think (“O futuro é mais rápido do que você pensa”, em tradução livre).
Segundo ele, estamos apenas nos primórdios da inteligência artificial, sobretudo na área médica.
“A quantidade de dados que agora são coletados por exames médicos, seja uma ressonância magnética do cérebro, testes genéticos ou os resultados de vários exames, tudo isso está muito além da capacidade de um único humano”, diz Diamandis.
“Na verdade, será uma negligência médica não usar a inteligência artificial em diagnósticos nos próximos 20 anos, possivelmente 10.”
Peter Diamandis diz que no futuro será ‘negligência’ não usar inteligência artificial na medicina
Getty Images/ BBC
Nem todo mundo concorda, no entanto, que a inteligência artificial vai avançar tão rápido. E a pergunta permanece: as pessoas vão ser relacionar com os robôs da mesma maneira que se relacionam com um terapeuta humano?
Jett, sem dúvida, acredita que assim. Ela ressalta que a geração dela cresceu com a tecnologia digital — para ela, é uma extensão da sua existência.
Mas Hunter enxerga apenas uma bolha tecnológica que, uma vez estourada, levará as pessoas a recorrer a formas mais tradicionais de cura, seja no consultório de um terapeuta ou por meio da espiritualidade.
“Pertencer a certos tipos de comunidades, algo que envolva relacionamentos”, afirma.
Já Diamandis prevê um equilíbrio, que contempla um forte envolvimento da inteligência artificial ​​em nossas vidas.
“Imagino que um terapeuta humano usando inteligência artificial seja muito mais poderoso do que um terapeuta humano sozinho”, diz ele, acrescentando que, em quase todas as áreas em que a inteligência artificial e os profissionais humanos coexistem para diagnosticar e tratar pacientes, as taxas de sucesso são melhores.
Diamandis faz referência ao filme Homem de Ferro para explicar como a inteligência artificial poderá transformar nossa saúde mental.
No filme, o super-herói Tony Stark tem um assistente pessoal digital, Jarvis, que marca suas reuniões, atende a porta e até organiza as playlists dele.
“Acho que todos nós vamos ter uma versão do Jarvis na próxima década”, diz Diamandis.
“Um Jarvis que executa nossas tarefas administrativas, como ler nossos e-mails ou atender nossos telefonemas; um Jarvis que vai sentir um clima depressivo dentro de casa e vai revertê-lo, colocando nosso filme favorito ou uma música que ele sabe que vai nos colocar para cima; um Jarvis que nos estudará 24 horas por dia, sete dias por semana e vai aprender sobre nós coisas que nem nós mesmos conhecemos.”

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Prazo de validade de três MPs editadas por Bolsonaro termina na volta do recesso do Congresso


Duas são polêmicas e, para líderes, governo terá dificuldade para aprová-las. MPs têm força de lei assim que publicadas, mas precisam ser aprovadas em até 120 dias. O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre
Marcos Correa/Brazilian Presidency/Handout via REUTERS
Três das 25 medidas provisórias (MPs) em tramitação no Congresso Nacional podem perder a validade se não forem aprovadas assim que os deputados e senadores voltarem do recesso parlamentar, em fevereiro.
Duas são mais polêmicas e, para líderes ouvidos pelo G1, o governo terá dificuldade para aprová-las.
Uma das medidas retira das entidades estudantis a exclusividade sobre a emissão das carteiras de estudante, que passa a ser gratuita.
A outra acaba com a obrigatoriedade de órgãos da administração pública publicarem os atos em jornais de grande circulação.
A terceira MP que está perto do prazo de validade, mas não gera polêmica, garante pensão para crianças com microcefalia causada pelo vírus da zika. Já foi aprovada na Câmara e deve passar com facilidade no Senado, de acordo com líderes.
Críticas
As MPs mais polêmicas são criticadas por parte dos parlamentares porque, na avaliação deles, o presidente Jair Bolsonaro as editou para atingir setores específicos, como os movimentos estudantis e a chamada “grande imprensa”.
“Há um desconforto do governo com o papel dos movimentos estudantis, e a MP atinge a subsistência das suas atividades. Claro que é possível discutir esse tema, mas falta legitimação para receber o apoio do Congresso”, diz o líder do PSB, Tadeu Alencar (PE).
Para o líder do Solidariedade na Câmara, Augusto Coutinho (PE), a condução do governo foi “equivocada porque pareceu retaliação”.
O líder do PSD no Senado, Otto Alencar (BA), entende que a outra medida provisória não terá apoio suficiente. “A MP das publicações em jornais não passa de jeito nenhum, não vai ter voto pra passar, deixa caducar”, afirma.
Ambas ainda estão paradas na comissão mista (integrada por deputados e senadores), primeira etapa de análise no Legislativo.
Se forem aprovadas, ainda precisarão ser votadas no plenário da Câmara e, em seguida, no do Senado.
Outro incômodo é em relação ao prazo. Votar as duas MPs que ainda estão na comissão mista em menos de duas semanas é vista como apressado pelo líder do Podemos no Senado, Álvaro Dias (PR).
“O instituto da medida provisória está sendo usado indevidamente, o tema poderia vir mesmo como um projeto em regime de urgência. As MPs chegam no Senado em cima do prazo. Essa estratégia de deliberar na última hora transforma o Senado em uma chancelaria”, diz.
Embora alguns parlamentares apostem na perda de validade das medidas, os mais alinhados com as políticas do governo acreditam que os dois textos passam com facilidade.
“Acho que todas são importantes. Não vejo razão para que a gente não trabalhe e resolva isso no primeiro mês, agora em fevereiro”, diz o vice-líder do MDB no Senado, Márcio Bittar (AC).
O líder do Novo na Câmara, Marcel Van Hattem (RS), também defende a aprovação das medidas e diz que seu partido fará um esforço para aprová-las antes de acabar o prazo de validade.
Força de lei
Medidas provisórias são editadas pelo presidente da República e têm força de lei assim que publicadas no “Diário Oficial da União”.
No entanto, para se tornarem leis em definitivo, precisam ser aprovadas pelo Congresso em até 120 dias. Caso contrário, perdem a validade.
A contagem desse prazo é suspensa durante o recesso parlamentar, que vai de 23 de dezembro a 1º de fevereiro.
Deputados e senadores podem aprovar o texto enviado pelo governo ou fazer modificações.
Prazo de validade
Saiba quais MPs vencem em fevereiro:
Carteira de identificação estudantil
O que diz: O Ministério da Educação pode emitir a carteira estudantil, que deve ser gratuita e adotar, preferencialmente, o formato digital. Ao solicitar a carteira, o estudante autoriza o compartilhamento de dados cadastrais e pessoais com o MEC.
Antes da MP, a legislação previa que a carteirinha fosse emitida por entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), que cobram pelo documento. A cobrança é uma das principais fontes de recurso dessas entidades. Até então, o MEC não estava na lista dos emissores.
Validade: Publicada em 9 de setembro, vale até 16 de fevereiro.
Fase de tramitação: Está parada na comissão mista.
Publicação de atos da administração pública
O que diz: Dispensa prefeituras, governos estaduais e o governo federal de publicar atos administrativos em jornais de grande circulação. Pelo texto, podem ser publicados somente em diário oficial ou na internet avisos de licitação, convocação para pregões e minuta de edital e de contrato de PPP, entre outros.
O teor é semelhante ao de outra MP que acabava com a obrigatoriedade de empresas de capital aberto publicarem seus balanços em jornais. A medida teve o relatório rejeitado pelos parlamentares e caducou no ano passado.
Validade: Publicada em 9 de setembro, tem validade até 16 de fevereiro.
Fase de tramitação: Está parada na comissão mista.
Pensão a crianças com microcefalia
O que diz: A MP institui uma pensão mensal vitalícia, no valor de um salário mínimo, para crianças com microcefalia (síndrome congênita do zika vírus), beneficiárias do Benefício de Prestação Continuada (BPC). A proposta inicial do governo previa que a mensalidade fosse oferecida a crianças nascidas entre 2015 e 2018, mas o relator, senador Izalci Lucas (PSDB-DF), elevou esse período até 2019.
Validade: Publicada em 5 de setembro, a medida é válida até 12 de fevereiro.
Fase de tramitação: Foi aprovada no fim de dezembro na Câmara e aguarda votação no Senado.
Outras MPs polêmicas
Outras medidas provisórias editadas no ano passado pelo governo podem sofrer resistência entre os parlamentares.
“Algumas vão caducar, inclusive a do DPVAT também”, afirma o líder do PSOL na Câmara, Ivan Valente (SP). “Algumas estão vencendo e são MPS realmente sem importância nenhuma, sem relevância sobre o que é o espírito de uma MP.”
Valente se refere à medida provisória que extingue o seguro obrigatório DPVAT e o DPEM a partir de 2020. O primeiro indeniza vítimas de acidente de trânsito e o segundo, vítimas de danos causados por embarcações.
O texto chegou a ser analisado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, que em dezembro suspendeu a medida, mas voltou atrás no último dia 9.
A MP apelidada de “Verde e Amarelo”, que, segundo o governo, tem como objetivo incentivar a contratação de jovens, também não encontra consenso.
A oposição chegou a pedir ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que devolvesse o texto ao governo, o que não ocorreu.
Alcolumbre, no entanto, já afirmou que pontos mais polêmicos do texto, como a contribuição previdenciária sobre o seguro-desemprego, serão retirados do parecer pelo relator da MP na comissão mista, deputado Christino Áureo (PP-RJ).

Referência

Preços do etanol e diesel fecham acima da inflação em 2019


Aprenda a calcular a média de quilômetros por litro e saiba se você pratica maus hábitos do motorista que fazem o veículo ‘beber’ mais. Veículo sendo abastecido em posto de combustível em Ribeirão Preto, SP
Fábio Junior/EPTV
O Guia Prático, série do G1 com mais de 130 vídeos sobre carros e motos, tem entre seus temas dicas sobre consumo de combustível.
Veja abaixo que maus hábitos ao volante podem fazer o carro “beber” mais, como calcular o consumo do seu veículo e quais as diferenças entre gasolina aditivada, premium e comum, entre outras reportagens.
VÍDEO: veja hábitos que fazem o consumo aumentar
Veja hábitos que aumentam o consumo de combustível
Aceleradas – evite aceleradas bruscas e desnecessárias. Elas afetam muito a média de consumo.
Vidros – andar com a janela aberta interfere na aerodinâmica e no consumo, principalmente a mais de 80 km/h.
Combustível – gasolina ou etanol “batizados” interferem na média porque a leitura do sistema de injeção eletrônica é afetada pela composição errada.
Na banguela? – aquele costume de deixar o carro em ponto morto em descidas é coisa do passado. O veículo engrenado gasta menos porque a injeção corta o combustível.
No trânsito – próximo aos semáforos, por exemplo, diminua a velocidade se estiver vermelho. Evite o “zigue-zague” e acelerar sem necessidade.
Velas – se ela está ruim, a queima do combustível fica irregular, o que reflete diretamente no aumento do combustível injetado.
Filtros – precisam ser trocados nas datas previstas no manual, sem desculpas. Em caso de entupimento, eles interferem diretamente na mistura de ar e combustível na câmara de combustão.
Rodas – o alinhamento é fundamental para a aerodinâmica. Se o veículo está fora de geometria, as rodas serão arrastadas, em vez de somente girar.
Pneus – a calibragem influencia diretamente no consumo e deve ser feita no máximo a cada 15 dias.
Peso – quanto mais pesado, mas o veículo consome. Então retire o “armário” do porta-malas.
Troca de marcha – uso do câmbio deve ser suave, sem necessidade de “esticar” a marcha. Andar com uma marcha alta em baixa velocidade também aumenta o consumo.Velocidade – outra atitude eficiente é não andar em altas velocidades. Um carro consome cerca de 20% a mais quando está a 100 km/h do que quando está a 80 km/h.
Rotina – Se o trajeto for curto, deixe o carro em casa. Um pouco de exercício não faz mal a ninguém.
Leia mais sobre o que faz o consumo aumentar no ‘Oficina do G1’
Aprenda a calcular o consumo do seu carro
Guia Prático #74: Aprenda a calcular o consumo de seu carro
Não é complicado, mas requer seguir algumas regrinhas (veja no vídeo acima), como rodar um mínimo de 200 km, para ter uma boa média.
Calcule: álcool ou gasolina, qual vale mais a pena?
Se você mantiver um histórico do consumo, poderá identificar quando é a hora certa de fazer a manutenção e se o combustível que está no seu carro pode ter sido “batizado”.
‘Tanquinho’ de gasolina: veja como cuidar dele
Veja dicas para abastecer carro flex
Amigo do frio – o tanquinho só é acionado se a temperatura ambiente for menor do que 18 graus.
Encher ou não? – se você mora em um local onde costuma fazer frio, deixe meio litro de gasolina nele sempre. Prefira usar gasolina aditivada ou premium, que dura mais.
E se não tem tanquinho – modelos mais modernos de motor flex dispensam o ‘tanquinho’. Eles usam o aquecimento do etanol na entrada do bico injetor.
Gasolina premium, aditivada ou comum?
Veja dicas sobre combustíveis e abastecimento
Em um primeiro momento, a gasolina aditivada não influencia no consumo. A função dela é manter a limpeza e preservar o motor, por meio de aditivos que ela contém.
A gasolina premium também tem aditivos, e possui octanagem maior. Esta é a medida de resistência da gasolina à queima espontânea que ocorre dentro da câmara de combustão. Na prática, ela permite uma combustão mais rápida e maior do produto, mas o efeito só é perceptível para carros mais potentes, como os esportivos.
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Referência

Petrobras paga US$ 700 milhões à Vantage Drilling após sentença nos EUA


Em junho do ano passado, estatal vendeu 90% da empresa de gasodutos à francesa Engie e ao fundo canadense Caisse de Dépôt et Placement du Québec. A Petrobras informou nesta sexta-feira (17) que iniciou processo para vender uma fatia remanescente de 10% na Transportadora Associada de Gás (TAG).
A companhia vendeu 90% da empresa de gasodutos à francesa Engie e ao fundo canadense Caisse de Dépôt et Placement du Québec (CDPQ) em transação concluída em junho do ano passado, por de R$ 33,5 bilhões.
Sede da Petrobras no Rio de Janeiro
Daniel Silveira/G1
Agora, potenciais compradores receberão um memorando com informações detalhadas sobre a TAG e instruções sobre o desinvestimento, na chamada “fase não vinculante” da operação, incluindo orientações para envio de propostas.
A TAG opera infraestrutura de transporte de gás com capacidade de movimentar 74 milhões de metros cúbicos por d0ia. A malha de gasodutos da empresa soma cerca de 4.500 quilômetro, segundo informações do site da companhia.
A Engie e os canadenses da CDPQ possuem direito de preferência na aquisição, uma vez que já são os acionistas majoritários da TAG.
O presidente da Engie no Brasil, Maurício Bähr, afirmou no início de dezembro que a empresa tem interesse em comprar a participação restante da Petrobras no ativo e deverá exercer o direito de preferência.
A Petrobras, por sua vez, pretende vender “com prêmio” os 10% que ainda detém na companhia de gasodutos, afirmou em dezembro o diretor de relações institucionais da estatal, Roberto Ardenghy.
O anúncio do negócio ocorre em meio a um amplo plano de desinvestimentos da Petrobras, que tem buscado reduzir o endividamento e focar esforços na exploração de petróleo e gás em águas profundas e ultraprofundas.

Referência

Preço da gasolina sobe após seis semanas seguidas de queda, diz ANP


Valor médio do litro da gasolina para o consumidor subiu 0,6%, para R$ 4,586. Diesel avançou 0,2% na semana, para R$ 3,791 por litro. Preços tiveram alta na semana, diz ANP
Marcelo Brandt/G1
Os preços dos combustíveis subiram nesta semana, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (17) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
De acordo com o levantamento, o valor médio do litro da gasolina para o consumidor avançou 0,6%, para R$ 4,586. Na semana passada, o preço do combustível permaneceu estável.
Já o preço do diesel avançou 0,2% na semana, para R$ 3,791 por litro, em média. O preço do etanol também teve alta na semana. O avanço foi de 1,8%, para R$ 3,241 por litro.
Os valores são uma média calculada pela ANP com dados coletados em postos em diversas cidades pelo país. Os preços, portanto, variam de acordo com a região.
Guia Prático #74: Aprenda a calcular o consumo de seu carro
Preços nas refinarias
Nesta semana, a Petrobras reduziu o preço médio da gasolina e do diesel nas refinarias em 3%, após ter mantido os valores de ambos os combustíveis estáveis por semanas.
A gasolina não sofria um reajuste desde 1º de dezembro, enquanto o diesel tinha a cotação estável desde 21 de dezembro, quando houve um aumento de 3%. Nos preços da gasolina, houve um aumento de 4% no dia 27 de novembro.
A redução do preço dos combustíveis nas refinarias ocorreu após um acomodação dos preços internacionais do petróleo.
Nesta sexta-feira, por exemplo, os contratos futuros do petróleo fecharam próximos da estabilidade, mas tiveram a segunda semana consecutiva de queda em 2020. Os contratos futuros do Brent recuaram 0,20% na semana, enquanto os futuros do West Texas Intermediate (WTI) tiveram queda 0,84%.

Referência